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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Janeiro Branco: poeta Flávia Teodoro Alves aborda diagnóstico tardio de TDAH e autismo em livro que transforma vivência em linguagem

 


No contexto do Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, a poeta, arte-educadora e performer Flávia Teodoro Alves lança “Toda reza é tentativa de telecinese”, livro que articula escrita, identidade e resistência a partir de vivências pessoais e políticas. Publicada pela Caravana Grupo Editorial, a obra dialoga com temas como trabalho, feminismo, desconstrução do amor romântico e, de forma transversal, os impactos de um diagnóstico tardio de TDAH, autismo e altas habilidades, recebido pela autora aos 40 anos.


Com poemas escritos entre 2015 e 2022, o livro reúne 40 textos — um para cada ano de vida da autora até então — e compõe o que Flávia define como “a história do pós-ruína”. Os versos fragmentados e intuitivos funcionam como um diário afetivo e crítico, no qual a escrita surge como ferramenta para questionar códigos sociais, elaborar experiências e desestabilizar sentidos estabelecidos.


“Fui diagnosticada como autista com TDAH e altas habilidades aos 40 anos, antes de lançar o ‘Toda reza’. Enquanto eu produzia o livro, não tinha o diagnóstico fechado, mas há reflexos na minha produção que acabei notando após. A literatura é um veículo para processar e compreender o que acontece comigo e à minha volta”, afirma a autora. Segundo Flávia, a dificuldade em compreender códigos sociais não ditos atravessa sua relação com o mundo e com a linguagem. “Escrevo sobre temas que me atravessam como enigmas que preciso decodificar para seguir em frente, uma tática de sobrevivência para descobrir (ou criar) meu lugar no mundo.”


Sem transformar o diagnóstico em eixo exclusivo, “Toda reza é tentativa de telecinese” aborda também assédio moral, precarização do trabalho, pandemia da Covid-19 e identidade, conectando o pessoal ao coletivo. O título do livro sintetiza sua proposta poética: a ideia de que toda reza — todo desejo — é uma tentativa simbólica de mover o mundo. “Enquanto o mundo que nos oferecerem for este, continuarei escrevendo para desestabilizá-lo a partir da linguagem”, afirma.


A obra marca ainda um momento importante na trajetória internacional da autora, tendo sido traduzida para o espanhol como “Toda oración es un intento de telequinesis”, por meio do programa de traduções da editora Caravana. Flávia acompanhou de perto o trabalho do tradutor Juan Balbin, buscando preservar os sentidos originais dos poemas.


Arte/educadora, pesquisadora, escritora, performer e professora da rede pública, Flávia Teodoro Alves vive e trabalha na Brasilândia, na periferia de São Paulo, onde desenvolve atividades educativas, artísticas e literárias. Sua escrita é marcada pelo fragmento, pelo intuitivo e pelo engajamento com questões sociais, consolidando-se como uma voz relevante da poesia contemporânea brasileira.


Sobre a autora

Flávia Teodoro Alves (São Paulo, 1982) é arte-educadora, pesquisadora, escritora, servidora pública, artista de rua, performer e atriz. Autora de “Toda reza é tentativa de telecinese” (2023) e outros trabalhos poéticos, sua escrita é marcada pelo fragmento, pelo intuitivo e pelo engajamento com questões sociais. Vive e trabalha na Brasilândia, onde também atua como professora na rede pública. É mestra em Artes pela Unesp e pós-graduada em Formação de Escritores pelo Instituto Vera Cruz. Em 2024, foi semifinalista na categoria Poesia Publicada do Prêmio Loba Festival. 


FICHA TÉCNICA

Livro: “Toda reza é tentativa de telecinese”

Autora: Flávia Teodoro Alves

Editora: Caravana Editorial

Número de páginas: 50

Ano: 2023

ISBN: 978-65-996462-3-2



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