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sábado, 29 de novembro de 2025

Microbiota, intestino e emagrecimento: o trio pouco explorado que pode mudar tudo

 


A ciência revela que o segredo para emagrecer pode estar em um lugar inesperado: o intestino. Entenda como trilhões de micro-organismos decidem se o seu corpo queima gordura ou a armazena.


Você faz dieta, treina, dorme bem, e mesmo assim o corpo parece não responder. A balança estagna, o inchaço persiste, o humor oscila.


A explicação pode não estar na força de vontade, mas no intestino.

Nos últimos anos, pesquisas científicas vêm mostrando que a microbiota intestinal, o ecossistema de trilhões de micro-organismos que habitam o trato digestivo, é uma peça-chave para o controle do peso, do metabolismo e até do comportamento alimentar.
Em outras palavras, o intestino pode estar influenciando quanto você come, o quanto seu corpo absorve e o quanto ele gasta.
 

O segundo cérebro do corpo


O intestino é hoje considerado um verdadeiro “segundo cérebro”. Ele se comunica com o sistema nervoso central por meio do eixo intestino-cérebro, uma via bioquímica e neural que conecta emoções, metabolismo e microbiota.
 

Essa relação é tão intensa que mais de 90% da serotonina, o neurotransmissor do bem-estar, é produzida no intestino, e não no cérebro. “Alterações no equilíbrio da microbiota afetam diretamente o humor, o apetite e o metabolismo. Um intestino inflamado ou desequilibrado pode gerar fadiga, compulsão alimentar e dificuldade para perder peso”, explica o Dr. Arthur Victor de Carvalho, médico especialista em nutrologia e saúde metabólica.

 

A microbiota que ajuda (ou atrapalha) o emagrecimento


Estudos mostram que a composição da microbiota intestinal é diferente em pessoas magras e em pessoas com sobrepeso.
 

As bactérias da família Firmicutes, por exemplo, conseguem extrair mais energia dos alimentos, enquanto as Bacteroidetes favorecem um metabolismo mais eficiente.
Quando há um desequilíbrio, chamado disbiose intestinal, ocorre aumento da inflamação sistêmica, alteração da sensibilidade à insulina e redução da capacidade do corpo de queimar gordura.

 

Um estudo publicado no Nature Microbiology demonstrou que pessoas com maior diversidade microbiana têm melhor resposta a dietas e maior perda de gordura corporal em comparação a quem tem microbiota pobre e inflamada.

 

Por que duas pessoas fazem a mesma dieta e só uma emagrece


A resposta pode estar na forma como o intestino de cada uma processa o alimento.
A microbiota regula a produção de ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato), que modulam o apetite, o gasto energético e a inflamação.
Um intestino saudável mantém o metabolismo “acelerado” e o corpo sensível à insulina; já o desequilíbrio microbiano reduz essa eficiência, levando à estagnação metabólica, mesmo com restrição calórica.
 

Além disso, algumas bactérias produzem metabólitos que influenciam o sistema nervoso, alterando a percepção de saciedade e até os desejos alimentares. “É por isso que muitas vezes o ‘comer emocional’ tem origem biológica, não psicológica. O intestino desregulado envia sinais errados ao cérebro”, afirma o especialista.




Fatores que sabotam a microbiota e o emagrecimento

  • Alimentação ultraprocessada: corantes, emulsificantes e conservantes destroem bactérias benéficas.
  • Excesso de açúcar e álcool: alimenta micro-organismos patogênicos e aumenta inflamação intestinal.
  • Uso repetido de antibióticos e anti-inflamatórios: reduz a diversidade da flora intestinal.
  • Estresse crônico e insônia: elevam o cortisol e alteram o eixo intestino-cérebro.
  • Sedentarismo: reduz a motilidade intestinal e o equilíbrio da microbiota.

Cada um desses fatores, isoladamente, já é suficiente para prejudicar o metabolismo; juntos, tornam o intestino um verdadeiro “travão metabólico”.

 

Como restaurar a saúde intestinal e reativar o metabolismo
 

Não existem soluções rápidas, mas há estratégias sólidas para reconstruir uma microbiota saudável:

  1. Aumentar o consumo de fibras e prebióticos, presentes em frutas, verduras, aveia, linhaça, feijões e leguminosas.
  2. Incluir alimentos fermentados naturais, como kefir, iogurte integral, chucrute e kombucha.
  3. Priorizar proteínas magras e reduzir açúcares simples, que alimentam bactérias ruins.
  4. Dormir bem e controlar o estresse, restaurando o eixo intestino-cérebro.
  5. Praticar atividade física regular, que estimula a diversidade microbiana.
  6. Avaliar a necessidade de probióticos, sempre com orientação médica, pois cada cepa tem função específica.

O intestino feminino: um capítulo à parte


Nas mulheres, essa conexão é ainda mais complexa. Oscilações hormonais durante o ciclo menstrual, gravidez e menopausa alteram a composição da microbiota intestinal e vaginal, impactando metabolismo, humor e acúmulo de gordura.

 

A microbiota e os hormônios estão em diálogo constante. Quando o intestino está desequilibrado, ele afeta o metabolismo de estrogênio e testosterona, o que pode dificultar o emagrecimento e até intensificar sintomas da TPM e da menopausa”. Por isso, estratégias de emagrecimento eficazes para mulheres precisam integrar equilíbrio hormonal + saúde intestinal + estilo de vida.


Cuidar da microbiota é, hoje, um dos pilares mais promissores para quem busca emagrecer com saúde e manter resultados duradouros. “Quando a alimentação, o sono, o estresse e os hormônios se alinham, o corpo volta a responder. E o intestino, que antes sabotava silenciosamente, passa a ser o maior aliado do equilíbrio e da leveza”, conclui o Dr. Arthur Victor de Carvalho.



 




Dr. Arthur Victor de Carvalho é médico especialista em menopausa, lipedema e modulação hormonal. Atua com foco na saúde da mulher moderna, unindo ciência, escuta e individualização para devolver às pacientes o que a medicina tradicional muitas vezes ignorou: vitalidade, bem-estar e liberdade para envelhecer com potência.

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