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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Dia Mundial do Vitiligo: SBCD alerta para mitos que ainda dificultam o diagnóstico e o tratamento da doença

 Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica esclarece dúvidas frequentes e reforça a importância do diagnóstico precoce para controlar a evolução das manchas

 

 Embora seja uma doença amplamente conhecida pelas manchas brancas na pele, o vitiligo ainda desperta dúvidas e está cercado por informações equivocadas. Crenças sobre transmissão, causas e possibilidades de tratamento continuam presentes no imaginário popular e podem atrasar o diagnóstico, além de contribuir para situações de preconceito.
 

Créditos: Magnific


No Dia Mundial do Vitiligo, celebrado em 25 de junho, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) reforça a importância da orientação médica e do acesso à informação de qualidade.
 

O vitiligo é uma doença crônica caracterizada pela perda da pigmentação da pele em decorrência da diminuição da função e da destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. A condição pode surgir em qualquer fase da vida e tem origem multifatorial. Fatores genéticos, alterações imunológicas e neurológicas, distúrbios oxidativos celulares, estresse físico ou emocional e traumas na pele estão entre os elementos associados ao seu desenvolvimento.
 

De acordo com o dermatologista Juliano Barros, especialista e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), a desinformação ainda representa um dos principais obstáculos para quem convive com a doença.
 

"É comum ouvir que o vitiligo pode ser transmitido pelo contato físico, mas isso não acontece. A doença não é contagiosa e não oferece qualquer risco de transmissão. Esclarecer esse tipo de informação é fundamental para reduzir o estigma enfrentado por muitos pacientes", afirma.
 

Outra característica que costuma gerar dúvidas é a ausência de sintomas físicos. Na maioria dos casos, o vitiligo não provoca dor, coceira ou desconforto, e seu principal sinal é o surgimento de manchas mais claras ou completamente despigmentadas em diferentes regiões do corpo.
 

"O aparecimento dessas manchas costuma ser a manifestação mais evidente da doença. Sempre que houver alteração na coloração da pele, a recomendação é buscar avaliação dermatológica para confirmar o diagnóstico e definir a melhor conduta", orienta o especialista.
 

A evolução do quadro varia de pessoa para pessoa. Em alguns pacientes, as manchas permanecem restritas a determinadas áreas do corpo. Em outros, podem surgir em diferentes regiões ao longo do tempo. Por esse motivo, o acompanhamento médico é essencial.
 

Além das dúvidas relacionadas às causas da doença, ainda existe a falsa percepção de que não há tratamento disponível. Segundo o especialista, os avanços da dermatologia ampliaram as possibilidades terapêuticas e permitem controlar a progressão do quadro em muitos casos.
 

"O tratamento busca regular a resposta imunológica envolvida no processo que afeta os melanócitos. Entre as opções disponíveis estão medicamentos imunomoduladores, agentes antioxidantes, procedimentos cirúrgicos em casos específicos e a fototerapia com luz ultravioleta, que pode estimular a repigmentação da pele e contribuir para resultados bastante positivos", explica.
 

Além dos aspectos clínicos, o vitiligo também pode afetar a autoestima e a qualidade de vida dos pacientes. O preconceito e a falta de informação ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas que convivem com a doença.
 

"Quanto mais conhecimento houver sobre o vitiligo, menores serão as barreiras enfrentadas pelos pacientes. O acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequados contribui para o controle da doença e ajuda a combater preconceitos que não têm fundamento", conclui.
 

Mitos e verdades sobre o vitiligo
 

Vitiligo é contagioso?
 

Não. A doença não é transmitida por contato físico, compartilhamento de objetos ou convivência social.
 

Toda mancha branca na pele é vitiligo?
 

Não. Outras doenças dermatológicas também podem causar alterações na pigmentação da pele, como nevo acrômico, albinismo, piebaldismo, pitiríase versicolor, pitiríase alba, líquen escleroso e atrófico e hanseníase. O diagnóstico deve ser sempre realizado por um médico.
 

O estresse pode influenciar o surgimento da doença?
 

Sim. O estresse físico ou emocional está entre os fatores associados ao aparecimento ou agravamento do quadro em pessoas predispostas. Estudos demonstram que entre 7,2% e 26,9% dos pacientes associaram o início da doença a algum distúrbio emocional, enquanto de 21% a 60% relataram o aparecimento de manchas acrômicas após traumatismos físicos, fenômeno denominado isomórfico ou de Koebner.
 

Vitiligo tem tratamento?
 

Sim. Existem diferentes abordagens terapêuticas que ajudam a controlar a evolução da doença e favorecem a repigmentação da pele. Entre as opções mais utilizadas, com resultados satisfatórios e embasamento científico consistente, estão terapias imunomoduladoras e anti-inflamatórias, tratamentos que estimulam a atividade dos melanócitos e a repigmentação, agentes antioxidantes, procedimentos cirúrgicos em casos estáveis há cerca de um ano e a associação de tecnologias a medicamentos específicos em técnicas conhecidas como drug delivery, também indicadas para casos estáveis de vitiligo.
 

Crianças podem desenvolver vitiligo?
 

Sim. A doença pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância.
 

Como escolher um médico habilitado
 

A SBCD ressalta a importância de a população buscar um profissional habilitado para acompanhamento, diagnóstico e tratamento. Para isso, é fundamental verificar se o médico possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), qualificação atestada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

A consulta é simples e pode ser feita a partir do nome do profissional no site do Conselho Federal de Medicina (CFM). Clique aqui!
 

Esse cuidado na escolha ajuda a evitar atendimentos inadequados por profissionais não habilitados e garante mais segurança ao paciente.
 

Sobre a SBCD
 

Fundada em 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) é referência nacional na formação, aperfeiçoamento e atualização de especialistas em cirurgia dermatológica. A entidade promove educação médica continuada, incentiva a pesquisa científica e desenvolve ações voltadas à segurança do paciente e à prática ética na especialidade.

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