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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Medicamentos para emagrecer exigem atenção à saúde vascular, alerta especialista

 Uso sem orientação médica pode provocar alterações circulatórias e exigir cuidado especial em pacientes com fatores de risco

 

O uso crescente de medicamentos para emagrecer, como a semaglutida e a liraglutida, tem acendido um alerta para a saúde vascular. Embora eficazes e seguros quando prescritos corretamente, o uso sem acompanhamento médico pode causar alterações circulatórias e agravar quadros em pacientes com fatores de risco.

“Os agonistas do receptor de GLP-1 representam um avanço significativo no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, com benefícios que vão além da perda de peso, incluindo redução de eventos cardiovasculares em pacientes selecionados”, afirma o cirurgião vascular e vice-diretor científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – São Paulo (SBACV-SP), Dr. Rafael de Athayde Soares.

Estudos recentes demonstram que a semaglutida subcutânea semanal pode reduzir em até 20–22% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto, AVC e morte cardiovascular, em pacientes com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida, mesmo na ausência de diabetes. Esses benefícios parecem ser, em parte, independentes da perda de peso, que gira em torno de 9,4%. Além disso, há evidências de melhora da capacidade de marcha e da qualidade de vida em pessoas com doença arterial periférica.

Apesar dos avanços, a administração indiscriminada desses medicamentos preocupa especialistas. Diabetes e obesidade, condições para as quais esses tratamentos são indicados, já estão diretamente associadas a alterações inflamatórias e metabólicas que comprometem a saúde dos vasos sanguíneos. O excesso de glicose pode danificar o endotélio vascular e favorecer a aterosclerose, enquanto o excesso de gordura corporal está relacionado à inflamação crônica, resistência à insulina e mudanças na coagulação, aumentando o risco de trombose, doença arterial periférica e insuficiência venosa.

“O consumo sem avaliação médica adequada pode expor o paciente a riscos desnecessários. O emagrecimento rápido, a redução da ingestão alimentar e os efeitos gastrointestinais podem levar à desidratação, desequilíbrios eletrolíticos e mudanças na pressão arterial, impactando a estabilidade hemodinâmica, especialmente em pessoas mais vulneráveis”, alerta o especialista.

Essas mudanças podem ter impacto direto no sistema circulatório. A desidratação reduz o volume sanguíneo circulante, enquanto os distúrbios eletrolíticos interferem no funcionamento do músculo cardíaco e no controle da pressão arterial. Em alguns casos, pode haver aumento da viscosidade do sangue, favorecendo um ambiente mais propenso à formação de trombos, especialmente em pacientes com fatores de risco prévios.

Pessoas com histórico de doenças vasculares, como trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou doença arterial periférica, devem ter atenção redobrada. Embora não haja evidência consistente de aumento direto do risco de trombose com o emprego desses medicamentos, fatores como desidratação, perda rápida de peso e desequilíbrios metabólicos exigem monitoramento mais rigoroso. Em condições como o lipedema, a perda de peso pode trazer benefícios metabólicos, mas não altera o tecido adiposo característico da doença, sendo importante o acompanhamento multidisciplinar.

“Antes de iniciar o tratamento, é fundamental realizar uma avaliação médica individualizada, com análise do histórico clínico, das medicações em tratamento, da pressão arterial, da função renal e do estado de hidratação. Em muitos casos, a terapia pode ser conduzida com segurança, desde que haja acompanhamento adequado, com monitoramento contínuo dos parâmetros clínicos e ajustes conforme necessário.”

Durante o tratamento, alguns sinais devem servir de alerta, como dor ou inchaço súbito nas pernas, falta de ar, dor no peito, tontura persistente, desmaios, palpitações, queda importante da pressão arterial e sinais de desidratação intensa, como fraqueza ou redução significativa da urina. Nessas situações, a orientação médica deve ser procurada imediatamente.

A avaliação de um especialista vascular pode ser indicada em pacientes com histórico de trombose, doença arterial periférica, insuficiência venosa importante, edema persistente nas pernas ou sintomas sugestivos de problemas circulatórios, contribuindo para a prevenção de complicações e maior segurança no tratamento.

“O principal cuidado é evitar a automedicação. Esses medicamentos devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico, como parte de uma estratégia que inclui mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada e atividade física. O tratamento precisa ser individualizado para garantir segurança, inclusive do ponto de vista vascular”, reforça o Dr. Rafael de Athayde Soares.

 

Sobre a SBACV-SP

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) é uma entidade sem fins lucrativos que representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular no estado de São Paulo. A instituição tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular à população.

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