Especialista fundadora do movimento Be Back Now aproveita a data e alerta para um ponto pouco debatido da equidade de gênero, o retorno ao mercado após interrupções profissionais
O Dia Internacional da Mulher tradicionalmente impulsiona debates sobre liderança feminina, igualdade salarial e representatividade. Mas há um tema estrutural que ainda recebe pouca atenção: o impacto das pausas na carreira e como elas afetam de forma desigual homens e mulheres.
Embora interrupções profissionais façam parte da dinâmica contemporânea do trabalho, as razões que levam mulheres a pausar e os obstáculos que enfrentam no retorno revelam um cenário de desigualdade persistente.
Levantamento realizado pela Be Back Now em parceria com a NOZ Inteligência mostra que, entre as mulheres, a principal razão para a pausa é a maternidade (28,8%). Em seguida aparecem desemprego ou dificuldade de recolocação (19,4%), saúde mental (11%) e cuidado com familiares (10,1%), quase o dobro do índice masculino nesse último ponto.
Entre os homens, a interrupção está majoritariamente associada a fatores de mercado: desemprego (32,8%), tentativa de empreender (15,6%) e saúde mental (10,7%).
Os dados evidenciam que, enquanto homens pausam majoritariamente por movimentos econômicos ou estratégicos, mulheres interrompem a carreira por responsabilidades estruturais de cuidado, um fator cuja experiência e habilidades são historicamente invisibilizadas nas políticas corporativas.
Para Tetê Baggio, fundadora da Be Back Now e que já passou por diversas pausas e retornos, por diferentes razões em sua vida profissional, o debate sobre equidade precisa evoluir. “Uma pausa não apaga competências, mas o mercado ainda reage como se apagasse. Precisamos incluir o retorno ao trabalho na agenda concreta do Dia da Mulher”, afirma.
Segundo ela, a desigualdade não está apenas na remuneração ou no acesso à liderança, mas também na penalização indireta de trajetórias não lineares, especialmente após a maternidade ou períodos dedicados ao cuidado familiar.
O estudo aponta ainda que mulheres relatam maior dificuldade de recolocação e maior sensação de insegurança profissional após pausas, reforçando a necessidade de políticas de reintegração mais estruturadas nas organizações.
No contexto do Dia da Mulher, Tetê defende que a equidade de gênero passa por reconhecer o direito à pausa sem punição estrutural no retorno. Empresas que incorporam essa visão não apenas fortalecem sua agenda ESG, como ampliam acesso a profissionais experientes, resilientes e com alta capacidade adaptativa.
Mais do que celebrar conquistas, o Dia da Mulher pode ser um ponto de inflexão para ampliar o debate sobre um tema que impacta milhões de brasileiras: o direito de pausar, e voltar, sem perder espaço.
O estudo completo “Pausa na Carreira 2025: o cenário do mercado de trabalho brasileiro” está disponível para download gratuito no link: https://lnkd.in/eGEai7wc
Site: www.bebacknow.com
Linkedin: www.linkedin.com/

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