Diante desse cenário, iniciativas como o Guia de Enfrentamento ao Racismo, da Escola Gracinha, ganham força ao promover formação e reflexão na comunidade escolar e na sociedade
O racismo ainda é uma realidade no Brasil e atinge também a infância. Segundo a pesquisa nacional “Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo”, realizada em 2025, 63% dos responsáveis pelos cuidados de crianças de 0 a 6 anos acreditam que o racismo é comum no Brasil e que atinge também a primeira infância. O levantamento aponta, ainda, que 16% afirmam que suas crianças já sofreram discriminação, principalmente em creches e pré-escolas, mencionadas por 54% dos entrevistados. A Escola Gracinha conta com o Guia de Enfrentamento ao Racismo, documento que orienta educadores, funcionários, estudantes e famílias sobre o tema.
De acordo com o Grupo Guardião, coletivo que impulsiona a pauta antirracista na escola, a iniciativa reforça valores essenciais da comunidade e orienta sobre como agir diante de casos de injúria racial ou racismo, independentemente de envolverem crianças, adolescentes ou adultos.
“Nosso objetivo vai além de reagir aos episódios de racismo. Entendemos que esse documento não resolverá todos os nossos problemas, mas, com ele, queremos prevenir, educar e desnaturalizar atitudes racistas dentro e fora da escola, promovendo o respeito e o reconhecimento da diversidade em nosso convívio cotidiano”, explica o grupo organizador.
O guia apresenta uma abordagem ampla sobre o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar. Para isso, conceitua o tema e seu contexto histórico, descreve a estrutura de acolhimento e encaminhamento disponível, orienta sobre como denunciar casos, detalha os processos de tratamento das ocorrências e estabelece formas de acompanhamento e aprimoramento contínuo das ações.
Ainda dentro do tema, a escola promoveu clubes de leitura, palestras, aulas, cursos, colóquios e eventos voltados à comunidade escolar.. “Temos revisado o currículo da escola, inserindo referências negras e indígenas em todas as áreas de conhecimento. Como parte desse processo, também ampliamos o acervo da biblioteca”, comenta o grupo.
Experiências escolares
O compartilhamento de experiências entre escolas também é considerado essencial nesse caminho de enfrentamento ao racismo. Um exemplo é o bate-papo “Construções de Guias de Enfrentamento ao Racismo: Experiências Escolares”, liderado pela coordenadora de Equidade e Antirracismo Pedagógico do Gracinha, Aline Gama, que reúne colégios para reflexão e aprendizado coletivo. No encontro, é apresentada a trajetória da própria escola, com destaque para práticas formativas voltadas à construção de uma educação comprometida com a justiça social e o combate às desigualdades.
“Mantemos um compromisso contínuo com a educação antirracista. As ações buscam enfrentar de forma concreta as diversas manifestações de violência racial e garantir formação constante aos profissionais da instituição, fortalecendo uma cultura escolar baseada no respeito, na equidade e na convivência ética”, finaliza Aline.
Sobre a Escola Gracinha
A Escola Gracinha é mantida pela Associação Pela Família, uma organização sem fins lucrativos, que alia tradição e inovação para formar estudantes críticos, criativos e conscientes. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, valoriza o protagonismo, a colaboração e os aprendizados significativos, em uma comunidade acolhedora e comprometida com a construção de um mundo mais justo e sustentável.

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