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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Corte de juros nos EUA reforça revisão de estruturas patrimoniais de brasileiros

 

Decisão do Federal Reserve muda o ambiente financeiro e amplia a necessidade de governança, sucessão e organização internacional de ativos com foco em 2026

A recente decisão do Federal Reserve de reduzir a taxa básica de juros dos Estados Unidos para o intervalo entre 3,5% e 3,75% reacende um ponto de atenção para brasileiros com patrimônio, empresas ou operações no país: a adequação das estruturas internacionais diante de um novo ciclo de crédito, maior circulação de capital e exigências regulatórias que seguem em evolução.

O debate ganha relevância em um contexto em que o estoque de investimento direto do Brasil nos Estados Unidos alcançou US$ 31,8 bilhões em 2023, segundo dados do SelectUSA com base no Bureau of Economic Analysis. O número reflete a presença crescente de empresários e famílias brasileiras no mercado americano, seja por meio de empresas, imóveis ou participações societárias, o que amplia a exposição a regras fiscais, sucessórias e de compliance locais.

Para Fernanda Spanner, International Business Advisor e CEO da Spanner Consulting Group, a leitura do corte de juros deve ser feita a partir de seus efeitos estruturais, e não apenas financeiros. “Mudanças na taxa de juros tendem a influenciar decisões de expansão, reorganização societária e alocação de capital. O ponto central é verificar se a estrutura usada hoje está preparada para esse novo ambiente, principalmente em termos de governança, proteção patrimonial e sucessão”, afirma.

Em ciclos de juros mais baixos, é comum que empresários revisitem projetos de crescimento, aquisição de ativos ou financiamento de operações. Esse movimento, no entanto, costuma evidenciar fragilidades recorrentes em estruturas internacionais, como titularidade inadequada de bens, ausência de regras claras de governança e falta de planejamento sucessório alinhado à legislação americana. Esses fatores podem gerar entraves operacionais, bloqueios bancários ou disputas futuras, mesmo em operações consideradas simples.

A sucessão patrimonial é um dos pontos mais sensíveis para não residentes com bens situados nos Estados Unidos. De acordo com o Internal Revenue Service, estrangeiros que possuem ativos no país acima de US$ 60 mil podem estar sujeitos a obrigações específicas relacionadas ao imposto sobre herança, o que torna o planejamento prévio uma etapa essencial para evitar exposição desnecessária da família ou do negócio. A ausência de estrutura adequada costuma transferir problemas jurídicos e fiscais para herdeiros e sócios.

Outro aspecto que ganha peso em momentos de mudança no cenário monetário é a incerteza regulatória para estrangeiros. Ainda que não haja alterações imediatas nas regras, os períodos de transição costumam vir acompanhados de maior rigor na verificação de documentos, origem de recursos e conformidade fiscal. Nesse contexto, especialistas recomendam revisão de contratos, padronização de registros societários e fortalecimento dos controles internos como forma de reduzir riscos operacionais.

Para empresas brasileiras que projetam crescimento ou consolidação de operações nos Estados Unidos até 2026, o momento é visto como estratégico para ajustes estruturais. Revisar o enquadramento societário, a integração contábil entre Brasil e Estados Unidos e a governança da operação passa a ser tão relevante quanto decisões de investimento. “O foco não está em aproveitar o crédito mais barato, mas em garantir que a empresa e o patrimônio estejam organizados para sustentar decisões futuras com segurança”, diz Spanner.

O corte de juros, portanto, funciona menos como um estímulo imediato e mais como um alerta. Em um ambiente de maior circulação de capital e exigência regulatória constante, brasileiros com ativos nos Estados Unidos tendem a se beneficiar não de movimentos rápidos, mas de estruturas sólidas, planejamento sucessório claro e governança capaz de atravessar ciclos econômicos sem comprometer o patrimônio construído.

 

Sobre Fernanda Spanner
Fernanda Spanner é CEO da Spanner Consulting Group, referência em contabilidade, planejamento tributário e estratégias fiscais. International Business Advisor com mais de 20 anos de experiência, possui cinco escritórios nos Estados Unidos, em Nova York, New Jersey, Flórida, South Carolina e Massachusetts. É Enrolled Agent licenciada pelo IRS, credencial mais alta concedida pela Receita Federal americana, o que lhe permite atuar em âmbito federal nos 50 estados. 

Para saber mais, acesse o instagramlinkedin ou pelo site https://www.fspanner.com/ 

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