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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Paciente tem necrose e deformações após cirurgias plásticas em Florianópolis; especialista explica falhas e limites de segurança

 

Médico responsável é condenado a 5 anos de prisão. Dr. Luiz Haroldo Pereira, referência em cirurgia plástica e ex-presidente da SBCP, alerta para erros técnicos e tempo cirúrgico excessivo: “Não é risco cirúrgico, é erro médico”

Sequelas divulgadas pela paciente. Reprodução Instagram


O sonho do corpo perfeito se tornou um pesadelo. Uma mulher de 40 anos ficou com necroses extensas e deformidades permanentes depois de se submeter a uma série de cirurgias plásticas realizadas em um único dia, em Florianópolis. O procedimento durou cerca de 12 horas, e a paciente precisou permanecer internada por longo período devido às complicações. O médico responsável, Marcelo Evandro dos Santos, foi condenado na última semana por lesões corporais graves, segundo decisão da Justiça de Santa Catarina.


Para o Dr. Luiz Haroldo Pereira, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e pioneiro da técnica de lipoaspiração no país, o caso é um exemplo de erro técnico associado à falta de critérios de segurança.


“Não é aceitável fazer 12 ou 15 cirurgias em um único paciente. Normalmente, podem ser feitas duas ou três, dependendo da estrutura hospitalar, da equipe e do tempo total de operação. O que não pode acontecer é ultrapassar o tempo seguro e colocar o paciente em risco”, afirma. 


Técnica e tempo: os principais fatores de risco


Segundo o especialista, o tempo cirúrgico prolongado é um dos maiores fatores de complicação. “Uma cirurgia feita até quatro horas, em hospital, com anestesista e exames atualizados, é segura. Acima disso, o risco cresce muito”, explica.


O médico acrescenta que, na lipoaspiração, o limite seguro é retirar até 7% do peso corporal em gordura, sempre respeitando a anatomia. “Quando o profissional tenta exagerar no contorno, retira gordura demais ou faz enxertos de forma inadequada, o resultado deixa de ser estético e passa a ser destrutivo. Não existe beleza em uma cirurgia mal planejada”, diz.


“Não é risco cirúrgico, é erro técnico”


Para o Dr. Luiz Haroldo, casos como o de Florianópolis não podem ser tratados como acidentes inevitáveis. “Risco cirúrgico é algo imprevisível, que pode ocorrer mesmo com todos os cuidados. É como andar de avião: é super seguro se todas as precauções forem tomadas, mas uma fatalidade pode acontecer. O que aconteceu aqui não é isso. É erro técnico. Tempo exagerado, excesso de procedimentos e falta de domínio da técnica. Isso é evitável”, afirma.


Sequelas que podem durar para sempre


As consequências, segundo ele, são graves e de difícil reversão. “Quando a gordura é retirada demais, a pele fica colada na musculatura e perde a capacidade de regeneração. A paciente convive com cicatrizes e deformidades pelo resto da vida. Mesmo com experiência, há casos em que simplesmente não há o que fazer”, explica.


O especialista reforça que a escolha do cirurgião e do hospital é decisiva para a segurança. Ele orienta que “o paciente precisa confirmar se o médico é membro da SBCP, se o hospital tem estrutura adequada e se há equipe completa com anestesista e instrumentador. Cirurgia plástica é medicina, não é pacote de estética”, alerta.


Saiba mais sobre Dr. Luiz Haroldo Pereira

Dr. Luiz Haroldo Pereira atende em Copacabana, no Rio de Janeiro, e é referência em cirurgia corporal e facial no Brasil. Já foi presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP-RJ), integrou a banca de exames para título de especialista por 12 anos e, desde 2006, faz parte da comissão de avaliação da SBCP. É considerado um dos principais nomes da cirurgia plástica brasileira, com reconhecimento internacional.

Site: www.drluizharoldo.com.br

Instagram: @drluizharoldo

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