Séries literárias ajudam a formar novos leitores; conheça três benefícios para crianças e jovens - Ousados Moda

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Séries literárias ajudam a formar novos leitores; conheça três benefícios para crianças e jovens

 

Continuidade das narrativas, identificação com personagens e diversidade de temas podem estimular o hábito da leitura e ampliar o repertório cultural


Foto: Magnific (Freepik)

O Brasil ganhou mais de 3 milhões de compradores de livros entre 2024 e 2025, segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros. O avanço foi puxado sobretudo pela faixa de 18 a 34 anos, cuja participação cresceu 3,4 pontos percentuais no período.


Com a expansão das comunidades digitais dedicadas à literatura, conhecidas como “BookRedes”, obras nacionais e internacionais passaram a alcançar novos públicos. As séries literárias, no entanto, já desempenhavam um papel relevante na aproximação de crianças e jovens com os livros antes da popularização desses espaços online.


“As séries literárias criam um vínculo com o leitor. Quando uma criança ou um jovem encontra personagens, universos e narrativas com os quais se identifica, a leitura deixa de ser apenas uma atividade pontual e pode se transformar em um hábito prazeroso”, explica Lidiane Olo, Sócia e Diretora Editorial de Educação Básica da Cogna. 


A Vaga-Lume, por exemplo, tornou-se uma referência da literatura infantojuvenil brasileira nas décadas de 1980 e 1990. Com mais de 50 anos de trajetória, a coleção da Editora Ática reúne títulos voltados a crianças e adolescentes. A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, alcançou 5 milhões de exemplares vendidos e permanece em circulação.


Posteriormente, coleções infantojuvenis, que abordavam o universo teen ou temas como ficção científica e distopias, também assumiram um papel importante ao atrair o interesse dos jovens leitores: 


“A gente observa que essas narrativas conseguem dialogar muito com os interesses e as inquietações dessa faixa etária, porque apresentam personagens com os quais os jovens podem se identificar e conflitos que, mesmo inseridos em universos fictícios, levantam questões próximas da realidade de muitos leitores”, complementa Lidiane.


Ao acompanhar personagens ou universos ao longo de diferentes volumes, é possível encontrar continuidade e familiaridade. Esse formato pode favorecer a descoberta de novos autores, gêneros e histórias e contribuir para a construção de uma relação mais duradoura com a literatura. A seguir, são apresentados três benefícios das séries literárias para a formação de leitores:


Criação do hábito de leitura 


Ao combinar temas definidos e linguagem adequada a diferentes faixas etárias, séries e coleções podem facilitar a aproximação de crianças e jovens com os livros. A familiaridade com o universo narrativo também tende a reduzir a barreira inicial da leitura e estimular o interesse pelos volumes seguintes.


Lançado em janeiro de 2026, Até que voltem os pássaros, de Severino Rodrigues, amplia a Série Vaga-Lume com uma narrativa ambientada em um Brasil distópico após uma devastação ambiental. A obra aborda o desmatamento e seus desdobramentos políticos e sociais, conectando a ficção a questões contemporâneas.


    


Ampliação do repertório cultural e introdução aos clássicos


Para muitos, a leitura de clássicos literários pode soar como uma tarefa escolar ou uma obrigação para o vestibular. Ainda que a literatura contemporânea também seja bastante valorizada, o contato com histórias que atravessam gerações é importante para a construção de um repertório cultural e essa aproximação pode começar ainda na infância. 


Coleções de adaptações podem funcionar como uma primeira aproximação com os clássicos, especialmente entre leitores em formação. É o caso da Coleção Reencontro Infantil, da Editora Scipione, que apresenta versões mais curtas e linguagem acessível de obras da literatura mundial, como Odisseia, Moby Dick e Ali Babá e os quarenta ladrões.


“A ideia das adaptações não é substituir as obras originais, mas sim servir de porta de entrada para que esses jovens tenham um primeiro contato com histórias clássicas sem que a leitura se torne difícil ou maçante”, explica Lidiane Olo. 


            


Discussão de temas complexos


Além de instigar a leitura, sagas literárias muitas vezes assumem um papel central na introdução de temas e debates contemporâneos, apresentando aos adolescentes e jovens dilemas políticos, sociais e culturais por meio da ficção. 


Um exemplo é a série protagonizada por Parvana, criada pela escritora e ativista canadense Deborah Ellis e publicada no Brasil pela Editora Ática. Ao acompanhar uma menina afegã e sua família, os livros abordam conflitos armados, deslocamento forçado e os impactos da instabilidade política sobre crianças e adolescentes.


Traduzida para mais de 17 idiomas, a série apresenta aos jovens leitores os desafios enfrentados por crianças e adolescentes em contextos de guerra, deslocamento e instabilidade política, aproximando, com sensibilidade, um tema frequentemente tratado apenas em números e manchetes. 


“Temas como crises geopolíticas e migratórias podem ser discutidos desde cedo, se apresentados de forma adequada à faixa etária. A literatura contribui para aproximar crianças e jovens dessas questões e pode favorecer o desenvolvimento da consciência social, da empatia e do pensamento crítico”, afirma Lidiane Olo.


            


Sobre a unidade de Literatura da SOMOS Educação - A área de Literatura e Informativos da SOMOS Educação, parte da Cogna Educação, reúne mais de 1,6 mil obras e 500 autores nacionais e estrangeiros nos selos Ática, Atual, Caramelo, Formato, Saraiva e Scipione. Também mantém o Coletivo Leitor, portal dedicado à valorização da leitura e da literatura desde a infância.

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