Terapeuta ocupacional, Andréa Fernandes explica que compartilhar tarefas simples com os filhos alivia a sobrecarga e fortalece os laços em casa
Existe sempre uma pessoa que sabe onde está o uniforme, ajuda no tema de casa, confere a mochila e resolve qualquer imprevisto. Quando falta algo, perguntam a ela. Se alguém esquece, ela lembra. No fim do dia, ela está exausta.
Para a terapeuta ocupacional Andréa Fernandes, mãe de três filhas e autora de Pequenos e Decisivos Passos na Infância (Minotauro, selo da Alta Books), o problema não é só a quantidade de tarefas, mas o fato de a rotina inteira caber na cabeça de uma única pessoa. Geralmente, a mãe.
Para a especialista em desenvolvimento infantil, as crianças podem e devem, aos poucos, fazer parte dessa engrenagem: participar não significa assumir responsabilidades de adulto, mas ter um lugar ativo naquilo que também é da própria vida delas.
Veja como começar:
- Confie nas pequenas tarefas
Confiar não é entregar responsabilidades grandes demais, e sim identificar pedaços da rotina que a criança já dá conta de assumir. Uma criança pequena talvez ainda não organize a mochila inteira, mas já pode guardar um material específico, levar o prato até a pia, colocar a roupa suja no cesto ou dar comida para os pets.
- Divida em etapas
Para algumas crianças, um passo já é suficiente: basta pedir para guardar os brinquedos. Para outras, é preciso quebrar a tarefa em partes menores, por exemplo, primeiro os carrinhos na caixa, depois os livros na prateleira. Use recursos visuais como um cartaz com desenhos de cada etapa.
- Resista à pressa
Na correria do dia a dia, fazer sozinho é sempre mais rápido. Mas antecipar tudo o tempo todo tira da criança a chance de aprender fazendo, e isso tem peso lá na frente. Quem nunca teve a chance de errar e resolver sozinha uma tarefa pequena cresce com menos confiança nas próprias habilidades, e pode virar um adulto que depende de outra pessoa até para organizar o básico.
- 4. Valorize a participação, não a perfeição
O objetivo não é criar filhos precocemente independentes, e sim que se sintam parte do grupo: elogiar a tentativa, mesmo com a cama torta ou uma migalha no prato, vale mais do que corrigir ou refazer tudo na frente da criança.
Segundo Andréa, quando isso acontece, não é só a criança que se desenvolve: a rotina começa a ser tarefa de todos, em vez de girar em torno de uma pessoa só.
Sobre a autora: Andréa Fernandes é terapeuta ocupacional formada pelo IFRJ, mãe de três filhas e autora de Pequenos e Decisivos Passos na Infância, lançado pela Minotauro, selo da Alta Books.
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