Ditado ganhou força com crenças europeias e episódios da história brasileira, mas a astrologia não classifica o mês como azarado.

Agosto costuma carregar a fama de ser um mês demorado. Em 2026, essa percepção ganhou até um reforço visual: o mês começou em um sábado, termina em uma segunda-feira e distribui seus 31 dias por seis linhas do calendário. Além disso, reúne cinco segundas-feiras, nos dias 3, 10, 17, 24 e 31. A sensação de que o período se prolonga favorece o retorno de uma velha expressão popular nas conversas e nas redes sociais: “agosto, mês do desgosto”.
Para Re Cámp, astróloga e especialista em Feng Shui, o calendário convencional não oferece base para definir um mês inteiro como favorável ou desfavorável. “A astrologia observa os trânsitos planetários de determinado período e a relação deles com o mapa de cada pessoa. Não existe uma regra segundo a qual agosto seja, por natureza, um mês de perdas, conflitos ou azar”, explica.
A fama reúne diferentes camadas culturais e históricas. Uma reportagem publicada pelo Terra relaciona a crença europeia a períodos de calor intenso, epidemias e dificuldades nas colheitas, além da antiga tradição portuguesa de evitar casamentos durante a temporada das grandes viagens marítimas. No Brasil, episódios como o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, e a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, ajudaram a reforçar a má fama.
A astrologia, contudo, não organiza suas interpretações a partir dos meses do calendário civil. Agosto costuma começar com o Sol em Leão e terminar com sua passagem por Virgem. Simbolicamente, Leão está relacionado à expressão, criatividade e identidade, enquanto Virgem direciona a atenção para a rotina, organização e análise. Os demais movimentos planetários mudam a cada ano, o que impede a criação de uma previsão fixa para o período.
Em 2026, o mês ganhou uma carga simbólica maior por reunir dois eclipses. O calendário astronômico da NASA registra um eclipse solar total em 12 de agosto e um eclipse lunar parcial em 28 de agosto. Na astrologia, esses fenômenos costumam ser associados a mudanças, revelações e encerramentos, mas isso não significa que estejam ligados a acontecimentos obrigatoriamente negativos.
“Períodos intensos podem trazer desconforto porque exigem revisão de escolhas e atitudes. O problema surge quando qualquer contratempo passa a ser interpretado como prova de que o mês é ruim. A pessoa deixa de observar o contexto e atribui ao calendário algo que pode fazer parte da própria vida”, afirma Re Cámp.
A crença também influencia comportamentos. Quem entra em agosto esperando problemas tende a reparar mais em atrasos, discussões e imprevistos, enquanto acontecimentos positivos recebem menos atenção. Com o tempo, essa seleção reforça a superstição. O receio pode interferir em decisões concretas, como adiar uma cerimônia, recusar uma oportunidade ou iniciar o mês em estado permanente de alerta.
No Feng Shui, Re lembra que o ambiente pode contribuir para a sensação de segurança e clareza, mas nenhuma casa se torna negativa apenas porque agosto começou. Manter a entrada livre, retirar objetos quebrados e preservar a circulação ajuda a reduzir a percepção de estagnação em qualquer época do ano. Agosto chega com trânsitos próprios, fatos inesperados e escolhas cotidianas, como todos os outros meses. O desgosto permanece muito mais ligado à força do ditado do que a uma condenação escrita no calendário.
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