Livro "Também os Brancos Sabem Dançar" foi lançado em 2018 no Brasil; coletivo retomou as atividades este ano após uma década de pausa
“Também os Brancos Sabem Dançar”, romance musical do escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, será adaptado para o cinema. No Brasil, o livro foi lançado em 2018, pela Todavia. A produtora portuguesa Wonder Maria Filmes adquiriu os direitos da obra, publicada originalmente em 2017, em Portugal, e posteriormente lançada também no Reino Unido e na Espanha. Kalaf vai assinar o roteiro ao lado da cineasta e roteirista Fernanda Polacow. A produção está prevista para 2028.
O livro acompanha a trajetória de um músico angolano em Lisboa e se debruça em temas como migração, identidade, música e transformação cultural, tendo como pano de fundo o nascimento do Buraka Som Sistema, grupo do qual Kalaf é cofundador e integrante. O coletivo é pioneiro na internacionalização do kuduro e das sonoridades afro-eletrônicas.
Kalaf desembarca no Brasil em setembro para o show do Buraka Som Sistema no Coala Festival, no Memorial da América Latina, no dia 12. Com sua formação original (Kalaf, Branko, Blaya, Conductor e Riot), o grupo retomou as atividades em 2026 após uma década de pausa. Esta será a única apresentação da turnê atual na América do Sul.
Nascido em Lisboa, em 2006, o Buraka Som Sistema tem três discos lançados: “From Buraka to World” (2006), “Komba” (2011) e “Buraka” (2014). Em 2008, o coletivo venceu o MTV Europe Music Awards na categoria Best Portuguese Act.
Como escritor, além de “Também os Brancos Sabem Dançar”, Kalaf tem publicado no Brasil o livro “Minha Pátria É a Língua Pretuguesa: Crônicas" (Todavia, 2023), em que parte do "pretuguês", neologismo criado por Lélia Gonzalez, para pensar a experiência de um pensador negro em permanente escuta da produção cultural do planeta. É autor ainda de “O Angolano que Comprou Lisboa (por Metade do Preço)” (2014) e “Estórias de Amor para Meninos de Cor" (2011), com edições apenas em Portugal.
Mais sobre Kalaf Epalanga
Kalaf Epalanga é escritor, músico e agitador cultural angolano, radicado em Berlim. A sua obra atravessa a literatura, a música, o ensaio e a curadoria, tendo como eixo central a investigação das relações entre memória, território e diásporas africanas no mundo. Na música, é co-fundador da editora Enchufada, criada em Lisboa em 2006 e, para além de membro do Buraka Som Sistema, assina a produção executiva de trabalhos de nomes como Dino d’Santiago e Toty Sa’Med. Enquanto curador, desenvolve projetos que articulam arquivo, memória e presença diaspórica. É co-fundador, com Nástio Mosquito, do Kizomba Design Museum, plataforma transdisciplinar dedicada à preservação e reinterpretação da kizomba enquanto fenômeno social, político e estético. O seu trabalho estende-se ainda à curadoria de festivais como o Coala Portugal, o Berlin African Book Festival e o Africa Writes, em Londres. Com sua obra, posiciona-se como uma das vozes mais consistentes na reflexão sobre o Atlântico negro de expressão portuguesa a partir de dois eixos centrais: o triângulo cultural entre Angola, Portugal e Brasil, e a língua como território vivo de criação, conflito e disputa simbólica.

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