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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Genética ajuda em resposta aos análogos de GLP-1 no tratamento da obesidade

  Exame Nutrigenético da Ciera Genomics incorpora análise sobre resposta aos análogos de GLP-1 e risco genético de eventos adversos no tratamento da obesidade

 

O avanço dos análogos de GLP-1 ou, popularmente conhecida como canetas emagrecedoras abriu uma nova frente no tratamento da obesidade, mas também expôs um desafio conhecido dos profissionais de saúde: pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter respostas diferentes ao mesmo tratamento.


É nesse cenário que a medicina de precisão e os exames nutrigenéticos ganham espaço, ao oferecer informações que ajudam a personalizar condutas e a antecipar riscos. Segundo o Conselho Federal de Farmácia, o uso desses medicamentos cresceu 88% em relação a 2024. O setor já movimenta cerca de R$ 9 bilhões em importações no país. Entre os princípios ativos utilizados estão a semaglutida e a tirzepatida, substâncias que atuam em hormônios relacionados à saciedade e ao controle do apetite. A semaglutida pode levar a uma média de até 15% de perda de peso, enquanto a tirzepatida pode alcançar entre 22% e 25%, dependendo da dose, do acompanhamento profissional e da mudança no estilo de vida do paciente.


Personalização e segurança no centro da discussão

Ao mesmo tempo em que os resultados chamam atenção, aumentam os alertas sobre segurança e uso adequado. Recentemente, a Anvisa reforçou os riscos do uso indevido desses medicamentos e citou o alerta da agência reguladora do Reino Unido sobre a possibilidade, ainda que rara, de pancreatite aguda grave em pacientes em tratamento. Entre 2020 e dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados aos análogos de GLP-1 no Brasil, incluindo seis casos com desfecho de óbito. Nos últimos anos, a agência também publicou alertas sobre riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos e casos raros de perda de visão associados à semaglutida.


O que os testes genéticos podem revelar

Na obesidade, a medicina de precisão busca transformar dados genéticos em apoio clínico para decisões mais assertivas. A proposta é compreender com mais profundidade fatores biológicos ligados à fome, à saciedade, ao metabolismo energético e à resposta ao tratamento medicamentoso. Segundo a Dra. Annete Marum, nutricionista e diretora científica da Ciera Genomics, a obesidade precisa ser tratada para além de uma lógica de culpa individual.


“Hoje sabemos que há componentes genéticos envolvidos no comportamento alimentar, no metabolismo energético, no armazenamento de gordura e também na forma como cada paciente responde ao tratamento. Quando esses dados entram na avaliação clínica, fica mais fácil construir uma estratégia mais individualizada e realista”, afirma a Dra. Annete. Entre os genes que podem ser analisados pelos testes genéticos estão marcadores associados ao comportamento alimentar, compulsão, saciedade e metabolismo energético, como FTO, LEP, LEPR e MC4R. O exame da Ciera Genomics, em especial, inclui análises relacionadas ao comportamento alimentar e metabolismo, fatores que podem impactar diretamente os resultados do emagrecimento.


Além do risco para fatores associados à obesidade, a genética pode impactar a resposta individual aos medicamentos análogos de GLP-1, usados hoje como tratamento da obesidade. Pessoas que apresentam uma herança genética de risco no gene GLP1R, que codifica o receptor do GLP1, podem apresentar menor eficiência na perda de peso com o uso do fármaco. Por isso, tem sido comum ouvir relatos de pessoas satisfeitas com o tratamento, mas outras frustradas porque perderam bem menos peso do que esperado com o tratamento prescrito pelo médico.
 

Além da genética, o impacto do sono

Na prática, esse tipo de análise ajuda a explicar por que alguns pacientes relatam mais fome ao longo do dia, dificuldade em atingir saciedade ou episódios recorrentes de compulsão alimentar. “Muitas vezes, o paciente se culpa por não conseguir emagrecer, quando existem fatores biológicos importantes envolvidos nesse processo”, diz a Dra. Annete. Ela cita o caso de uma paciente pós-bariátrica que apresentava reganho de peso. Apesar do exame indicar predisposição genética favorável ao emagrecimento, o principal fator identificado foi a privação crônica de sono associada à apneia. Após o tratamento adequado, houve melhora no controle da compulsão alimentar, aumento da disposição para atividades físicas e evolução do processo de emagrecimento.

Para os especialistas, o avanço da medicina de precisão representa uma mudança importante na forma de tratar a obesidade: com abordagens mais individualizadas, baseadas em ciência e menos centradas na culpa do paciente.

 

Sobre a Ciera Genomics

A Ciera Genomics é uma empresa brasileira de ciências ômicas aplicadas à medicina e nutrição de precisão, com foco em prevenção, predição e personalização da saúde. Diferente dos laboratórios tradicionais, opera como uma plataforma integrada de inteligência em saúde, reunindo genômica, metabolômica, microbioma, bioinformática proprietária e inteligência artificial proprietária em um único ecossistema — com operação verticalizada que garante controle de qualidade, profundidade analítica e segurança dos dados. A empresa conta com um time de especialistas PhDs com mais de 50 anos de experiência combinada em pesquisa, prática clínica e tecnologia, e mantém operações no Brasil, Paraguai e Europa, sendo sua operação europeia baseada em Portugal e atendimento por todo o mercado europeu.

 

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