“De Menor – A Série”, o mais recente trabalho da premiada cineasta Caru Alves de Souza, ganha uma sessão especial aberta ao público no dia 21 de junho, domingo, às 15h00, na Ocupação 9 de Julho, em São Paulo.
Ao final da projeção, acontece uma roda de conversa, com participação da diretora e do elenco da obra. A entrada é franca, por ordem de chegada do público.
O evento antecipa o lançamento da produção no Canal Brasil, onde passa a ser apresentada a partir do dia 25 de junho.
“De Menor – A Série” é uma obra ficcional que gira em torno de audiências envolvendo adolescentes em conflito com a lei, a série tem linguagem não-naturalista. Cada um dos seis episódios adota um gênero ou estilo diferente, incluindo musical, programa de TV, game e podcast.
A sessão de 21/06 é promovida pelo Cine Ocupa, projeto da Ocupação 9 de Julho, e nela são projetados dois dos seis episódios da série. O episódio 2 focaliza um jovem acusado de apedrejar a vidraça de um banco. Já no episódio 4, uma jovem acusada de invadir uma residência desafia o sistema com suas palavras.
Sediada na rua Álvaro de Carvalho 427, Consolação, a Ocupação 9 de Julho é um dos movimentos de moradia mais icônicos de São Paulo. Ela abriga mais de 120 famílias e destaca-se por integrar moradia digna com forte atuação em arte, educação e assistência social.
No mesmo dia, a partir das 12h30, ocorre o almoço da Cozinha Ocupação 9 de Julho, um projeto de gastronomia, solidariedade e resistência organizado pelo Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC). Com valor único de R$ 50,00, a iniciativa é também um polo cultural e comunitário que promove segurança alimentar e a união entre as lutas do campo e da cidade. Através de parcerias, promove a distribuição de quentinhas a comunidades carentes da Grande São Paulo.
sobre as exibições no Canal Brasil
Depois de sua première mundial no Festival de Berlim de 2025 e pré-estreia na 27ª edição do Festival do Rio, “De Menor – A Série”, novo trabalho da diretora paulista Caru Alves de Souza, estreia oficialmente no Canal Brasil, no dia 25 de junho, às 20h30.
As datas de exibição dos seis episódios são as seguintes:
25/06, às 20h30 – episódios 1 e 2
26/06, às 20h30 – episódios 3 e 4
27/06, às 20h30 – episódios 5 e 6
horários alternativos
29/06 a 1º/07, às 12h (2 episódios seguidos a cada dia)
10/07 a 12/07, às 14h (2 episódios seguidos a cada dia)
sinopses
sinopse geral
“De Menor – A Série” é uma série ficcional para TV sobre injustiças que podem ser cometidas contra jovens em situação de vulnerabilidade. Baseados em histórias que giram em torno de audiências com adolescentes em conflito com a lei, em cada episódio seis jovens atores interpretam personagens de histórias que adotam um gênero ou estilo diferente em uma linguagem não naturalista, montadas em um palco de teatro. Assim, um episódio é musical, outro assume a forma de um programa de TV, um terceiro é tratado como uma audiência bizarra organizada em uma sala de jantar chique, enquanto outros diálogos estão em formato de podcast. Um defensor público e dois jovens se reúnem no sexto episódio para comentar o material gravado (como os vídeos da internet do gênero react).
episódio 1 (35 min)
Um jovem acusado de tráfico entra em confronto musical com um juiz severo, que enfrenta um dilema moral ao decidir sua sentença. Justiça e ritmo entram em cena.
episódio 2 (36 min)
Durante um protesto estudantil, um jovem é acusado de apedrejar a vidraça de um banco. Diante de uma juíza inflexível e um promotor indiferente, ele já é tratado como culpado.
episódio 3 (33 min)
Uma jovem é acusada de roubo e tem sua vida exposta em um programa sensacionalista de TV que transforma seu julgamento em espetáculo, revelando os limites entre justiça e entretenimento.
episódio 4 (41 min)
Acusada de invadir a casa de um médico, uma jovem usa um podcast para revelar a verdade e expor os culpados, desafiando o sistema com suas palavras.
episódio 5 (35 min)
Após uma facada entre colegas, uma audiência revela traumas, segredos e um sistema de justiça perdido diante de uma geração que vive entre o real e o virtual.
episódio 6 (41 min)
No episódio final, é a série que é julgada por dois jovens e uma defensora pública em um formato “react”, mediado por um especialista que provoca reflexões e debates.
sobre “De Menor – A Série”
Com seu roteiro final fruto de um processo colaborativo de criação desenvolvido junto ao elenco, “De Menor – A Série” conta com a atuação de jovens talentos, como os atores Grace Orsato, Giulia Del Bel, William Costa, que haviam participado de “Meu Nome é Bagdá”, longa-metragem da diretora que venceu a mostra Generation no Festival de Berlim em 2020. Ao seu lado estão Benjamín, Luan Carvalho e Taciana Bastos, além das participações das atrizes Carlota Joaquina, Marina Medeiros e Rita Batata, do músico Shabazz e do ator Giovanni Gallo. Rita Batata e Giovanni Gallo são os protagonistas do longa “De Menor”, vencedor da Première Brasil no Festival do Rio em 2013 e que serviu de inspiração para a série.
Segundo a diretora, a nova série busca “desnaturalizar uma situação extremamente violenta para com adolescentes desassistidos". Daí a opção por uma proposta não-realista, que acontece inteiramente em cima de um palco de teatro, sem ter suas estruturas escondidas, expondo a ideia de encenação e de que existe uma construção social por trás dessas tragédias. Outro conceito muito importante para a cineasta foi o de criar situações que “quebravam” constantemente o fluxo narrativo para que o espectador se lembrasse que o que ele está vendo não é real - ainda que seja muito realista - numa tentativa de convidá-lo a refletir sobre o que ele está vendo.” (veja texto completa ao final)
“De Menor – A Série” é uma produção da Tangerina Entretenimento, empresa comandada pela cineasta Tata Amaral. A equipe criativa principal é composta pelo diretor de fotografia Leonardo Feliciano (o mesmo de “Marte Um”), a montadora Camila Rizzo, que acumula diversas premiações em eventos norte-americanos, e o diretor de arte Julio Dojcsar, conhecido artista visual, grafiteiro e cenógrafo. Participam ainda a figurinista Silvana Marcondes, elogiada por seus trabalhos em espetáculos teatrais, a preparadora de elenco Marina Medeiros (de “Ensaio Sobre a Cegueira”), o editor de som e mixador Pedro Noizyman e o autor da trilha musical André Whoong, que haviam trabalhado em “Meu Nome é Bagdá".
No canal da Tangerina Entretenimento no YouTube estão disponíveis o trailer oficial da série, assim como teasers de todos os seus episódios. O endereço é www.youtube.com/
“De Menor – A Série” segundo a crítica especializada
Segundo o crítico Luiz Carlos Merten, “Fãs de séries podem ir se preparando, ou será que só consomem/gostam (d)as séries norte-americanas? Histórias da Vara da Juventude e da Infância, reconstituídas num palco, com os mesmos atores revezando-se nos papeis. Uma estilização, minimalista e antinaturalista, à Lars Von Trier – ‘Dogville’, ‘Manderley’. O julgamento do garoto preso como traficante, embora não seja. O policial corrupto – ‘Sr. Juiz, vai confiar em quem, no testemunho desse moleque ou da autoridade que defende os interesses da sociedade?’ A canalhice do sistema. Outro julgamento, agora no formato de programa de auditório – a garota que assalta, de arma em punho, por amor. Drogada e armada, é culpada? ‘Ligue para o telefone na parte de baixo da imagem.’ A análise da ‘especialista’. O julgamento do público. Caru filma muito bem, conta com a participação de um elenco predominantemente jovem, e apaixonado. Recorre a metáforas, alegorias, em tom farsesco e/ou paródico. É fera. Não sou um grande fã de séries, mas tenho visto algumas por dever de ofício. ‘De Menor’ é das melhores, senão a melhor. Preciso ver direitinho onde e quando ‘De Menor’ estará disponível. A Premiére, antes da Brasil, foi na Mostra Generation, na Berlinale. É imperdível.”
elenco
Benjamín
Giulia Del Bel
Grace Orsato
Luan Carvalho
Taciana Bastos
William Costa
elenco convidado
Carlota Joaquina
Giovanni Gallo
Marina Medeiros
Rita Batata
Shabazz
ficha técnica
direção Caru Alves de Souza
produção Tata Amaral e Caru Alves de Souza
produção executiva Tata Amaral, Rafaella Costa e Paula Pripas
roteiro Caru Alves de Souza e Nara Marinho em colaboração com Giulia del Bel, Grace Orsato, Lux Barreto, Benjamín, Luan Carvalho, Taciana Bastos, William Costa, Carlota Joaquina, Giovanni Gallo, Maria Laura Cesar, Marina Medeiros, Rita Batata, Shabazz
direção de fotografia Leonardo Feliciano e Alan Fábio Gomes
montagem Camila Rizzo, Raquel Ladeira e João Barbalho
direção de arte Julio Dojcsar
figurino Silvana Marcondes
caracterização Vanessa Barone
preparação de elenco Marina Medeiros
edição de som e mixagem Pedro Noizyman
música André Whoong
Som direto Matias Bruno e Ana Chiosi
microfonista Raoni Gruber
coordenação executiva Sônia Hamburger
direção de produção Karina Lima
coordenador de produção executiva Gui Valentim
sobre a diretora
Caru Alves de Souza é diretora, roteirista e produtora de São Paulo. Formada em História pela Universidade de São Paulo trabalha na indústria cinematográfica desde 2006. Foi membro do Coletivo Vermelha, um grupo de profissionais mulheres da indústria audiovisual em São Paulo que formulavam ações para chamar a atenção para a representação das mulheres no cinema, e do Coletivo casadalapa, formado por artistas de diferentes origens que criaram ações no espaço público de São Paulo, unindo arte e ativismo. Foi curadora da retrospectiva "O Cinema Humanista dos Irmãos Dardenne", exibida nos Centros Culturais Banco do Brasil em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília ao longo de 2016, premiada pelo jornal O Globo como uma das melhores retrospectivas do ano. Em 2021, participou do "Máster en Prácticas Escénicas y Cultura Visual" no Museo Reina Sofía, organizado pela Universidad Castilla-La Mancha, em parceria com Artea e colaboração com Azala Kreazio Espazioa e Teatro Pradillo. Atualmente integra a Rede de Talentos do Projeto Paradiso.
Seu longa-metragem de ficção mais recente, “Meu Nome é Bagdá” (2020), venceu o Grand Prix de Melhor Filme na competição Generation 14 plus no 70º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o prêmio Melhor Roteiro Adaptado de Filme de Ficção pela ABRA, além de conquistar outros 14 prêmios nacionais e internacionais.
Com a empresa de produção Tangerina Entretenimento dirigiu e roteirizou diversos filmes de ficção, como o longa-metragem “De Menor” (2012), cuja estreia internacional ocorreu no Festival de Cinema de San Sebastián; “Assunto de Família” (2011), que teve sua estreia mundial no Frameline: San Francisco International LGBT Film Festival e distribuição no Reino Unido pela Peccadillo Pictures; “O Mundo de Ulim e Oilut” (2011), com estreia mundial no Chicago International Children's Film Festival; e os documentários para a TV “Vestígios” (2010) e “Mascarianas” (2008). Também dirigiu a segunda temporada da série documental “Causando na Rua (2017) e a segunda temporada da série de ficção “Tudo Igual... SQN” (2022, Disney+).
Seu atual projeto de longa-metragem ficcional, “Corações Solitários” (em desenvolvimento), produzido pela Manjericão Filmes, de Rafaella Costa, foi selecionado para a Pop Up Film Residency, em Vilnius, Lituânia, em 2022, e para o Co-Production Market no Festival de Cinema de Berlim em 2023, tendo vencido o prêmio APIMA, na seção Punto Gênero do Ventana Sur. Caru também está em fase inicial de desenvolvimento de outro longa de ficção produzido por Rafaella Costa e escrito e criado por Josefina Trotta, “Bocha”, selecionado para o mercado de coprodução When East Meets West através de prêmio dado pelo Producers Network do Marché du Film em Cannes. Por fim, a realizadora também está em fase de desenvolvimento de um projeto híbrido entre ficção e documentário com a Manjericão Filmes: o longa-metragem “Uma Cidade para Christine”, selecionado para o evento MAFF - Málaga Festival Fund Co-Production Market, na Espanha.
palavras da diretora Caru Alves de Souza
Quando eu estava no meio do processo de desenvolvimento do “De Menor – A Série”, me dei conta de que estava diante de um universo extremamente delicado, que reunia, por um lado, situações familiares extremamente vulneráveis e, de outro, uma sociedade que não reconhece essa vulnerabilidade e muito comumente lida com ela de maneira punitivista. Também ficou evidente que essa situação se inseria em um contexto muito mais estrutural onde o preconceito racial, de gênero e de classe davam as diretrizes.
Duas experiências foram determinantes para me ajudar a entender como eu poderia abordar dramaturgicamente essa questão extremamente complexa de uma maneira socialmente responsável. Em “Meu Nome é Bagdá”, longa-metragem que dirigi e coescrevi, a gente reescreveu as cenas e os diálogos a partir dos ensaios feitos com as atrizes e atores do filme, muitos deles skatistas que nunca haviam tido a experiência de uma filmagem. Esta metodologia de trabalho de mise-en-scène trouxe frescor e potência ao projeto, aclamada pelo público e crítica como um ponto alto do filme. Anos depois, na Espanha, fiz o Máster en Prácticas Escénicas y Cultura Visual no Museu Reina Sofia, em colaboração com a Universidad Castilla La-Mancha, onde desenvolvi práticas performáticas de escrita coletiva com desconhecidos. Ou seja, o conceito de criação colaborativa, de potencialização das forças envolvidas na criação, e o conceito de "ampliações de vozes" se tornaram imperativos desde então, me provocando a tentar trilhar um caminho mais ético quando ao lidar - ou partir de - situações e pessoas em estado de vulnerabilidade. Para isso, o caminho que escolhi foi abrir a construção dramatúrgica da série para uma criação mais colaborativa onde tanto elenco como equipe criativa participou da concepção das histórias em uma tentativa de “refletir juntos” sobre aquela situação que se apresentava para nós, Reunimos experiências vividas e/ou pensadas, para escrever as histórias de cinco adolescentes que são julgados por algum crime que alegadamente cometeram, na tentativa de expor as engrenagens das estruturas sociais presentes em cada situação específica nas histórias. Assim, “De Menor – A Série” não pretende dar uma solução ou dar a palavra definitiva sobre algum assunto, isso seria um erro, o que pretendo com a série é mostrar o resultado de um processo de reflexão que um grupo de pessoas fez, e estender essa tentativa para aquelas pessoas que assistirem a série.
O primeiro conceito que queríamos trabalhar era com a ideia de desnaturalizar uma situação extremamente violenta para com adolescentes desassistidos. Daí a opção por uma proposta não-realista, que acontece inteiramente em cima de um palco de teatro que não têm suas estruturas escondidas, expondo a ideia de encenação e de que existe uma construção social por trás dessas histórias. Outro conceito muito importante foi o de criar situações que “quebravam” constantemente o fluxo narrativo para que o espectador se lembrasse que o que ele está vendo não é real - ainda que seja muito realista - numa tentativa de convidá-lo a refletir sobre o que ele está vendo.
Com isso, espero que “De Menor – A Série” seja uma experiência que leve a questionar a maneira que vemos o mundo, que possamos perceber que as estruturas sociais que achamos serem imutáveis ou as situações que achamos que são naturalmente de uma maneira, muitas vezes são, na verdade, fruto de construções sociais que podem – e devem – mudar urgentemente quando são injustas, e que a experiência de ver a série não acabe nos créditos finais.
"De Menor – A Série" foi viabilizado através do Fundo Setorial do Audiovisual (Ancine / BRDE), Programa de Ação Cultural - ProAC (Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo) e Spcine.
serviço
“De Menor – A Série”
pré-estreia em 21/06, às 15h00
Ocupação 9 de Julho (rua Álvaro de Carvalho 427, Consolação – São Paulo)
entrada franca
estreia em 25/06, às 20h30, no Canal Brasil
exibição de 25/06 a 27/06, às 20h30
reapresentações
29/06 a 1º/07, às 12h
10/07 a 12/07, às 14h

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