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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Maio Roxo: o que colocar no prato para proteger o intestino no dia a dia, segundo médica

 

Em meio ao avanço das doenças inflamatórias intestinais, escolhas simples e acessíveis da rotina alimentar ganham espaço na prevenção e no cuidado com a saúde intestinal

Foto Profissional. (Crédito: pexels.com)

Arroz, feijão, legumes, frutas, aveia e sementes podem parecer escolhas comuns demais para entrar no debate sobre saúde intestinal. Mas é justamente nessa base alimentar, longe dos modismos e das soluções rápidas, que especialistas concentram hoje boa parte das orientações para quem quer cuidar melhor do intestino.


No Maio Roxo, mês de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, como Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, o assunto ganha novo peso. O avanço desses quadros no Brasil acende o alerta não só para diagnóstico e tratamento, mas também para hábitos diários que podem favorecer um ambiente intestinal mais saudável ao longo do tempo.


Para a Dra. Mariana Wogel, médica especialista em nutrologia, um dos erros mais comuns é imaginar que a proteção intestinal depende de produtos caros, dietas restritivas ou fórmulas prontas. “O intestino responde muito mais à constância do que a medidas isoladas. Não é um shot, um suplemento ou um alimento específico que resolve tudo. O que faz diferença é a qualidade da rotina alimentar, com mais fibras, menos ultraprocessados e maior variedade de alimentos naturais”, afirma.


O prato simples que faz sentido


Segundo a médica, uma alimentação mais favorável ao intestino não precisa ser complexa. Preparações cotidianas, tradicionais e acessíveis costumam oferecer os elementos mais importantes para o equilíbrio intestinal, especialmente quando aparecem com regularidade no cardápio.


Entre os alimentos que merecem espaço na rotina, ela destaca:

  • feijão e outras leguminosas, como lentilha e grão-de-bico;
  • aveia;
  • frutas com boa oferta de fibras, como mamão, banana e laranja com bagaço;
  • verduras e legumes variados;
  • tubérculos, como mandioca e batata-doce;
  • sementes, como chia e linhaça;
  • iogurte natural, para quem tem boa tolerância.


A Dra. Mariana ressalta, porém, que mesmo alimentos considerados saudáveis precisam respeitar a individualidade de cada pessoa. “Não existe uma lista universal que funcione da mesma forma para todos. Alguns alimentos podem ser muito bem tolerados por um paciente e causar desconforto em outro. Por isso, o básico bem feito costuma funcionar, mas sempre com observação da resposta do corpo”, diz.


Por que isso importa


O intestino depende de regularidade alimentar, hidratação adequada e consumo suficiente de fibras para funcionar bem. Quando a alimentação se concentra em produtos ultraprocessados, excesso de açúcar, farinhas refinadas e baixa ingestão de vegetais, o padrão tende a ser menos favorável ao equilíbrio da microbiota e ao controle inflamatório.


Na prática, isso significa que o cuidado intestinal começa antes do aparecimento de sintomas intensos. “A saúde intestinal não se constrói só quando surge um problema. Ela é resultado de repetição. O que a pessoa come todos os dias pesa mais do que aquilo que ela faz pontualmente para compensar excessos”, afirma a médica.


Como aumentar fibras sem exagero


Apesar dos benefícios, a mudança não deve ser brusca. A introdução rápida de fibras, sem adaptação e sem consumo adequado de água, pode causar distensão abdominal, gases e desconforto.


Por isso, a orientação é fazer ajustes graduais:

  • incluir uma fruta a mais ao longo do dia;
  • acrescentar aveia no café da manhã;
  • manter feijão ou outra leguminosa nas principais refeições;
  • colocar legumes no almoço ou no jantar;
  • testar pequenas quantidades de chia ou linhaça.


“Não é necessário reformular toda a alimentação de uma vez. Pequenas mudanças sustentadas costumam funcionar melhor e são mais fáceis de manter”, explica.


O que costuma dar errado


Outro equívoco frequente, segundo Dra. Mariana Wogel, é tentar “consertar” o intestino enquanto a base da alimentação segue ruim. Também é comum retirar grupos alimentares por conta própria, sem avaliação individual, numa tentativa de aliviar sintomas rapidamente.


“O maior erro é buscar uma resposta isolada sem rever o padrão alimentar como um todo. Outro ponto delicado é começar a cortar leite, glúten, feijão, frutas e vegetais sem orientação. Em alguns casos, a pessoa até sente alívio temporário, mas empobrece a dieta e dificulta o cuidado no longo prazo”, afirma.


Ela ressalta que, nos casos de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, a conduta nutricional precisa respeitar a fase da doença, a tolerância alimentar, os sintomas predominantes e o risco de desnutrição. Por isso, embora exista uma base geral de alimentação saudável, o manejo deve ser individualizado quando há diagnóstico estabelecido.


O recado do Maio Roxo


Para a médica, o principal ponto da campanha é ampliar o olhar sobre o intestino. Mais do que pensar apenas em sintomas ou em restrições, o momento pede atenção ao padrão alimentar como parte relevante do cuidado.


“Quando se fala em intestino, muita gente ainda procura uma solução rápida. Mas o que realmente protege é a rotina. Um prato simples, com feijão, legumes, frutas e menos ultraprocessados, continua sendo uma das estratégias mais consistentes para apoiar a saúde intestinal”, conclui Dra. Mariana Wogel.

 

Sobre a Dra. Mariana Wogel

Médica nutróloga, especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, RQE 33691 com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. Autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, atende em Três Rios e Itaipava com foco em cuidado integral, acompanhamento contínuo e saúde da mulher em diferentes fases da vida.

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