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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Heitor Werneck completa 9 anos como coordenador artístico da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo

 

Nove anos, muitas vozes novas: a trajetória de Heitor Werneck na construção de uma Parada cada vez mais plural

Em sua nona participação consecutiva como coordenador artístico da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Heitor Werneck auxiliou a consolidar a  trajetória transformadora da curadoria e gestão cultural do evento. 

Ao longo de quase uma década colaborando na programação artística do maior evento LGBT+ do mundo, Werneck ajudou a redefinir o papel da Parada não apenas como manifestação política, mas como plataforma plural de arte, afeto e pertencimento — onde a diversidade dentro da diversidade finalmente encontrou voz e palco.

Uma jornada que começou com escuta

Quando assumiu a coordenação artística pela primeira vez, Heitor Werneck trouxe consigo uma perspectiva singular: a de quem vive a diferença a partir de dentro. Inserido no espectro autista, Werneck passou a contribuir para uma programação que expandiu progressivamente os limites do que se entendia por "representatividade" na Parada — partindo do reconhecimento de que a comunidade LGBT+ é ela mesma profundamente plural.

Nove anos de conquistas: quem ganhou espaço

Ao longo de suas edições, a coordenação de Heitor Werneck foi responsável pela sugestão da inserção sistemática e estrutural de grupos historicamente sub-representados junto à curadoria da programação artística da Parada:

Pessoas com Deficiência (PCDs): a presença de artistas PCDs nos palcos se tornou política e estética, apresentando artistas com diferentes deficiências físicas, visuais e auditivas como protagonistas — não como curiosidade, mas como potência criativa.

Neurodivergentes: a  própria vivência de Werneck no espectro autista abriu caminhos para artistas neurodivergentes criando condições técnicas e emocionais para que esses artistas pudessem se apresentar com segurança e dignidade.

Artistas periféricos: a Parada passou a refletir a São Paulo real — aquela que mora longe do centro, abrindo as portas para artistas das periferias da capital e da Grande São Paulo, reconhecendo que a cultura produzida nas margens é tão legítima quanto qualquer outra, e muitas vezes mais urgente.

Artistas negros e negras: com uma curadoria atenta ao racismo estrutural que permeia também os espaços LGBT+, a Parada tem ampliado consistentemente a presença de artistas negros na programação, entendendo que LGBTfobia e racismo são violências que se somam — e que a Parada precisa combater ambas.

Pessoas idosas: em uma comunidade que frequentemente celebra a juventude como único valor, a Parada trouxe para o palco artistas mais velhos da comunidade LGBT+, honrando quem esteve na linha de frente da luta antes de muitas conquistas serem possíveis.

Artistas ciganos: artistas da cultura cigana — povo historicamente perseguido e apagado — também foram inseridos na programação da Parada, construindo pontes entre diferentes formas de resistência à intolerância.

Comunidade BDSM e de fetichistas: as expressões ligadas ao BDSM e ao fetiche ganharam visibilidade como o que de fato são: manifestações legítimas de identidade, autonomia corporal e liberdade sexual — pilares que estão na origem da própria Parada. 

Diversidade também de estilos e sonoridades

Além da inserção desses grupos, Heitor tem trabalhado junto com a curadoria da Parada para abraçar a diversidade artística e cultural de estilos e sonoridades.

“A cada edição do evento tenho proposto para a curadoria ampliar esse leque e eles aceitam. Dessa forma, temos aberto espaço para o rock, o forró, o samba e outras vertentes da música e da arte como capoeira, maculelê, cortejos, expressões de matrizes africanas, movimento hare krishna. O que tem resultado a cada ano, inscrições de artistas cada vez mais diversos, o que enriquece em muito artisticamente a Parada”, conclui Heitor.

Sobre Heitor Werneck

Heitor Werneck é produtor cultural, estilista, precursor do fetichismo no Brasil e idealizador da primeira festa liberal do País, Projeto Luxúria, atua também como consultor em séries e filmes da HBO, Netflix, Globo, e, entre as suas principais atividades, realiza ações sociais em prol de membros da comunidade LGBTQIAP+ voltadas para saúde, alimentação e acolhimento em parcerias com ONGs, empresas e órgãos do governo. Werneck também é autista e realiza lives diárias em seu TikTok @heitorwerneckoficial sobre suas vivências no espectro.

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