
Índice supera média brasileira de 65% e reforça importância do acolhimento no tratamento oncológico infantil
No Dia Mundial da Luta Contra o Câncer, celebrado em 8 de abril, o debate sobre diagnóstico precoce e acesso ao tratamento ganha ainda mais relevância, especialmente quando se trata do câncer infantojuvenil. Na Casa de Acolhida Padre Eustáquio (CAPE), em Belo Horizonte, a taxa de cura das crianças acolhidas chega a 80%, índice superior à média nacional, estimada em cerca de 65%. O resultado evidencia a importância de um tratamento integrado, que combina assistência médica especializada com acolhimento multidisciplinar e suporte contínuo às famílias durante todo o processo terapêutico.
A instituição recebe gratuitamente crianças e adolescentes de famílias de baixa renda, muitas vezes vindos do interior de Minas Gerais, de outros estados brasileiros e até de outros países em busca de tratamento oncológico em centros de referência. Durante esse período, a CAPE oferece uma estrutura completa de acolhimento que inclui moradia para pacientes e acompanhantes, alimentação diária, transporte para hospitais e atendimento de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de psicologia, nutrição, fisioterapia e assistência social. Em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, a casa também mantém uma escola reconhecida pelo Ministério da Educação dentro da própria instituição, permitindo que as crianças continuem os estudos durante o tratamento.
Para a superintendente da CAPE, Mônica Araújo, o acolhimento tem papel fundamental na continuidade do tratamento e no bem-estar das crianças e adolescentes. “Quando uma família precisa sair da sua cidade para enfrentar uma doença tão complexa, ela enfrenta também desafios emocionais, financeiros e logísticos. O acolhimento garante estabilidade para que a criança consiga manter o tratamento com dignidade e com o apoio necessário durante todo esse processo”, afirma.
Somente em 2025, a CAPE destinou R$ 2,4 milhões à manutenção de suas atividades de acolhimento. Ao longo do ano, foram realizados 2.302 atendimentos diretos, com 12.472 diárias de acolhimento e mais de 47 mil refeições servidas. Toda a estrutura da instituição é mantida exclusivamente por doações e por uma rede de apoio formada por empresas, parceiros e iniciativas solidárias. Entre as ações de arrecadação estão eventos beneficentes como o Chefs Contra o Câncer, campanhas de doação recorrente, parcerias com estabelecimentos comerciais e iniciativas solidárias como o Bazar da Juju Menotti e o McDia Feliz.
Diagnóstico precoce
Embora raro, o câncer infantojuvenil costuma evoluir rapidamente e exige atenção aos sinais iniciais da doença. Diferentemente dos tumores em adultos, que muitas vezes estão associados ao envelhecimento celular ou a fatores ambientais, o câncer infantil está ligado ao próprio processo de desenvolvimento do organismo. “O câncer na infância não deve ser tratado como a versão reduzida do câncer em adultos. Enquanto nos mais velhos os tumores estão ligados ao envelhecimento celular e a fatores ambientais, nos pequenos eles estão relacionados aos estímulos naturais de crescimento e ao desenvolvimento natural do organismo”, explica Joaquim Caetano, coordenador do Instituto de Oncologia da Santa Casa BH.
Entre os principais sinais de alerta estão manchas brancas nos olhos com reflexo alterado, caroços palpáveis no corpo, febres persistentes, vômitos pela manhã e perda de peso sem causa aparente. Como muitos desses sintomas podem ser confundidos com doenças comuns da infância, a atenção dos responsáveis e as consultas regulares ao pediatra são fundamentais para o diagnóstico precoce. “Grande parte desses sintomas se confunde com doenças típicas da infância, mas ignorá-los pode atrasar o diagnóstico. Consultas regulares ao pediatra são fundamentais para salvar vidas”, reforça o especialista.
Ao oferecer estrutura, acompanhamento profissional e apoio social, instituições como a CAPE ajudam a transformar um dos momentos mais difíceis da vida dessas crianças e de seus familiares marcada em um caminho possível de cuidado e recuperação. “O que vemos todos os dias aqui são crianças e famílias enfrentando o tratamento com muita coragem. Nosso trabalho é garantir que elas tenham o suporte necessário para atravessar esse processo com dignidade e esperança”, afirma Mônica Araújo.
Casa de Acolhida Padre Eustáquio
Alameda Ipê Branco, 28, São Luiz - Belo Horizonte
Instagram: @capebh
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