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Ressecamento, rigidez e pequenas fissuras podem indicar que a região precisa de hidratação contínua, não de remoção
Durante décadas, retirar completamente as cutículas foi um hábito quase automático nas manicures brasileiras. O gesto, repetido semanalmente em salões e em casa, faz parte da cultura de cuidados com as unhas no país. Nos últimos anos, porém, especialistas têm chamado atenção para o papel dessa fina camada de pele localizada na base das unhas: ela funciona como uma barreira natural de proteção.
Quando removida com frequência, a região pode ficar mais sensível e vulnerável a pequenos traumas. “A cutícula é tecido cutâneo e quando há retirada constante, ocorre uma agressão repetitiva, mesmo que leve”, explica Camila de Oliveira, farmacêutica da Epilê, empresa brasileira de cosméticos. “Com o tempo, isso pode alterar a elasticidade da região e estimular um crescimento mais rígido”, reforça a especialista.
Segundo Camila, antes de recorrer ao alicate, vale observar alguns sinais que indicam que a área pode estar pedindo hidratação regular, e não necessariamente remoção. Confira algumas outras informações:
1. Aspecto esbranquiçado e endurecido
Quando a região perde água, a pele tende a ficar opaca, rígida e menos maleável, o que pode até dificultar a esmaltação.
2. Descamação frequente
Pequenas “pelinhas” ao redor das unhas são um indicativo comum de fragilidade da barreira cutânea.
3. Pequenos machucados após a manicure
Microlesões recorrentes podem surgir quando a remoção é feita de forma frequente ou agressiva.
4. Sensação de ardor ou sensibilidade
Desconforto na base da unha pode sinalizar que a região está sensibilizada e precisa de recuperação.
5. Crescimento irregular ou mais espesso
Quando a pele é retirada repetidamente, o organismo pode reagir estimulando um crescimento mais rígido, como forma de defesa.
6. Acabamento irregular nas unhas
Desníveis na borda da cutícula podem interferir na aplicação uniforme do esmalte.
7. Necessidade constante de remover novamente
Se a retirada passa a fazer parte de um ciclo semanal obrigatório, é possível que falte um cuidado preventivo com a hidratação.
De acordo com Camila, a manutenção da flexibilidade da pele ao redor das unhas depende principalmente da hidratação frequente. “O Óleo de Rosa Mosqueta, por exemplo, é rico em ácidos graxos essenciais, que auxiliam na manutenção da barreira cutânea. Além disso, contém vitaminas com ação antioxidante que ajudam a melhorar o aspecto ressecado”, afirma a farmacêutica.
No mercado, já existem opções desenvolvidas para aplicação localizada, como óleos em formato de caneta com pincel aplicador, que facilitam o uso ao longo do dia. A marca Epilê, do Laboratório Aclimação, por exemplo, oferece uma versão com óleo de rosa mosqueta 100% puro, aplicada diretamente na região das cutículas.
Mais do que a quantidade aplicada, o fator decisivo costuma ser a regularidade do cuidado. “Pequenas aplicações diárias tendem a manter a região mais maleável e hidratada, reduzindo a necessidade de remoção frequente”, orienta Camila.
A mudança de abordagem acompanha um movimento mais amplo nos cuidados com a pele e as unhas: a busca por práticas menos invasivas, que priorizam manutenção contínua em vez de intervenções repetidas. Para muitas pessoas, isso significa substituir o alicate por um gesto simples, e diário, de hidratação.
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