A autora
HIROMI KAWAKAMI nasceu em Tóquio em 1958. Estreou na literatura em 1994, com o romance Kamisama [Deus]. Com Hebi o fumu [Pisar uma cobra] recebeu em 1996 o Prêmio Akutagawa. Desde então, vem sendo reconhecida e laureada com diversas premiações importantes, inclusive o Prêmio Tanizaki de 2001, pela presente obra. Kawakami vem se impondo no mundo literário japonês com a tonalidade extremamente peculiar de seu estilo, ao mesmo tempo refinado e enxuto, onde os temas privilegiados são o dia a dia metropolitano, o charme das metamorfoses da vida, o amor e a sexualidade. Também pela Estação Liberdade, foram publicados os romances Quinquilharias Nakano, em 2010, e A valise do professor, em 2012.
Trechos
“Achei que poderia ser algum espírito do oceano que estava me seguindo. Meu marido amava o mar. Sem me preocupar, continuei caminhando em direção à ponta da enseada.
Estava ofegante. Provavelmente por andar depressa. Minha pequena bolsa de pano, tudo que trazia comigo, balançava ao meu lado. Comprei uma garrafa de chá verde na máquina automática. Cheguei a ficar em dúvida entre frio ou quente, mas acabei escolhendo o quente. Por um tempo, andei carregando a garrafa. E, de súbito, a coisa que me seguia até então se afastou.” [p. 15]
“Será que meu marido queria morrer?
Ou será que sumiu por querer viver?
Viver ou morrer, talvez essas coisas não fizessem parte de seu pensamento.” [p. 18]
“Decidi me apaixonar por ele. Quando senti que seria capaz, tomei a decisão de amá‑lo. Ele não se esquivou. Deixei o fluxo dos meus sentimentos seguir na direção de Seiji. É o meu jeito de amar. Tanto as emoções mais intensas quanto as mais tênues diretamente se dirigiam, ou melhor, fluíam para ele. Eu era grata por ele não recusar. Depois que Rei desapareceu, perdi o chão. Não sabia aonde canalizar meus sentimentos. Ao perder o norte, corro o risco de sequer saber onde me encontro. É semelhante ao medo diante da incapacidade de saber se estamos subindo ou descendo o rio, para onde as águas seguem. ” [p. 30-31]
Repercussão
“Kawakami possui uma habilidade notável de obscurecer realidade, fantasia e memória, fazendo com que o desejo de amor pareça inquietantemente real.” — Publishers Weekly
“É um daqueles títulos inesperados que melhoram com o tempo; é preciso deixá-lo ‘descansar’ após a leitura para poder ser plenamente apreciado.” — Smithsonian Asian Pacific American Center
“Sutileza e delicadeza, uma prosa minuciosa que descreve com consciência as marcas da alma. Uma viagem literariamente sugestiva.” — Pere Guixà, El País
“Uma das maiores escritoras japonesas.” — Marie Claire
“Kawakami cativa o leitor com suas palavras e estilo poético.” — Jacinta Cremades, El Mundo
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