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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Varizes: por que a cirurgia tradicional ficou no passado?

 

Durante décadas, falar em varizes era quase sinônimo de cirurgia, anestesia, cortes extensos e dias, às vezes semanas, de recuperação. Esse imaginário ainda persiste, fazendo com que muitas pessoas adiem o tratamento por medo, desinformação ou pela falsa ideia de que “ainda não está tão grave assim”.

O que pouca gente sabe é que a medicina vascular avançou e hoje, a cirurgia tradicional para varizes ficou no passado na maioria dos casos.


O que mudou na abordagem das varizes?

A principal transformação não foi apenas tecnológica, mas conceitual. Antes, tratava-se a varizes como um problema visível. Hoje, ela é entendida como o resultado de uma alteração no funcionamento da circulação venosa, que precisa ser avaliada de forma precisa e individualizada.


Com o auxílio do ultrassom Doppler, o cirurgião vascular consegue mapear o trajeto das veias, identificar refluxos e definir exatamente qual técnica é mais adequada, sem intervenções generalizadas e desnecessárias.

Segundo a Dra. Dafne Leiderman, médica e cirurgiã vascular formada pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e diretora da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) regional São Paulo, essa mudança foi determinante para abandonar procedimentos agressivos:


“Hoje, o tratamento é direcionado. Não se remove mais veias com cortes indiscriminadamente. Tratamos o problema com técnicas minimamente invasivas, melhorando a circulação, resultados mais estéticos e duradouros e proporcionando recuperação rápida ao paciente.”

Tratamentos modernos: menos cortes, mais precisão


Entre as principais alternativas que substituíram a cirurgia tradicional estão:

  • Laser endovenoso, que trata a veia grossa doente por dentro e até safena doente, sem cortes extensos
  • Espuma ecoguiada, aplicada com controle por imagem
  • Procedimentos ambulatoriais, realizados em consultório ou hospital-dia
  • Anestesia local, em muitos casos
  • Laser transdermico q trata microvasinhos vermelhos e roxos, e até varizes finas evitando cirurgia em muitos casos
  • Escleroterapia, as aplicações de microvasos com produtos modernos e mais eficaz


O resultado é um tratamento mais seguro, eficaz e confortável, com retorno rápido às atividades do dia a dia.


Por que ainda existe tanto medo de tratar varizes?


Apesar da evolução, o atraso na busca por tratamento ainda é comum. Isso acontece porque muitas pessoas associam varizes apenas à estética ou carregam experiências antigas de familiares submetidos a cirurgias invasivas.

O problema é que varizes não tratadas podem evoluir, causando dor, inchaço, sensação de peso, alterações na pele e até complicações mais graves, como trombose ou úlceras venosas.

“Esperar piorar não é uma estratégia. Hoje conseguimos intervir mais cedo, de forma simples, evitando problemas futuros e melhorando a qualidade de vida do paciente”, explica a Dra. Dafne.


Varizes não são todas iguais e o tratamento também não deveria ser


Outro ponto-chave da medicina vascular moderna é abandonar soluções padronizadas. Cada paciente tem um tipo de varizes, uma anatomia venosa e um histórico diferente.

Por isso, a avaliação criteriosa é indispensável. O tratamento ideal não é o mais tecnológico ou o mais caro, mas aquele que resolve a causa do problema com o menor impacto possível.


Informação também é parte do tratamento

Ao desmistificar a ideia de que varizes exigem cirurgia e internação, a medicina vascular dá um passo importante para que mais pessoas cuidem da própria saúde sem medo.


“Quando o paciente entende o que está acontecendo no corpo dele, o tratamento deixa de ser um tabu e passa a ser uma escolha consciente”, conclui a especialista.


Hoje, tratar varizes é sinônimo de precisão, conforto e evolução médica, e não mais de sofrimento ou afastamento prolongado da rotina.

 

Sobre a Dra. Dafne Leiderman - CRM156693 RQE78592


Médica e cirurgiã vascular formada pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. É diretora da SBACV regional São Paulo e referência na capital paulista em tratamentos modernos de varizes sem necessidade de internação hospitalar, laser para microvasos e manejo clínico do lipedema sem cirurgia.

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