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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Como Reconstruí Minha Autoestima

 


Durante anos, olhei no espelho e via apenas defeitos. Minha autoestima estava no chão, e cada crítica parecia confirmar o que eu pensava sobre mim mesma: que eu não era boa o suficiente. Se você está lendo isso, provavelmente sabe exatamente do que estou falando. A boa notícia? Descobri que é possível transformar completamente a relação que temos conosco mesmos.

Autoestima é, essencialmente, como você se vê e se valoriza. É aquela voz interna que te acompanha em todas as decisões, relacionamentos e desafios da vida. Percebi que minha baixa autoestima não era apenas sobre aparência ou conquistas, era sobre como eu interpretava meu próprio valor como pessoa.

Quando minha autoestima estava baixa, eu aceitava relacionamentos tóxicos, não me candidatava a empregos melhores e vivia constantemente me comparando aos outros nas redes sociais. A autoestima afeta literalmente todas as áreas da nossa vida: relacionamentos, carreira, saúde mental e até nossa saúde física.

Demorei para perceber, mas havia sinais claros que eu estava ignorando. Eu tinha dificuldade extrema em aceitar elogios, sempre desviando ou minimizando qualquer coisa positiva que alguém dissesse sobre mim. Vivia me desculpando por coisas que nem eram minha culpa e evitava situações novas por medo de fracassar.

A autocrítica era constante e implacável. Eu me cobrava por cada erro pequeno, mas nunca me parabenizava pelas conquistas. Percebi que tratava estranhos com mais gentileza do que tratava a mim mesma. Essa foi uma revelação dolorosa, mas necessária.

A transformação não aconteceu da noite para o dia. Comecei pequeno, com práticas diárias que pareciam bobas no início, mas que fizeram toda a diferença ao longo do tempo.

Sempre que me pegava pensando "eu sou um fracasso" ou "ninguém gosta de mim", comecei a questionar: isso é realmente verdade? Quais evidências eu tenho? Geralmente, percebia que eram apenas percepções distorcidas, não fatos. Comecei a substituir esses pensamentos por versões mais realistas e compassivas.

As redes sociais eram meu veneno. Cada foto perfeita de outra pessoa me fazia sentir inadequada. Tive que estabelecer limites saudáveis, diminuindo meu tempo online e lembrando a mim mesma que as pessoas só mostram os melhores momentos, não a realidade completa.

Comecei a manter um diário de conquistas. Não precisavam ser grandes coisas, podia ser ter saído da cama em um dia difícil, ter feito uma refeição saudável ou ter tido uma conversa difícil. Reconhecer essas pequenas vitórias mudou minha perspectiva sobre meu próprio valor.

Aprendi a dizer não sem me sentir culpada. Percebi que proteger meu tempo e energia não era egoísmo, era autocuidado. Isso incluiu me afastar de pessoas que constantemente me diminuíam ou me faziam sentir mal comigo mesma.

Descobri que cuidar do meu corpo estava diretamente conectado a como me sentia sobre mim mesma. Não estou falando de dietas restritivas ou exercícios excessivos, mas de nutrição adequada, movimento que me fazia sentir bem e sono suficiente. Quando me sentia fisicamente melhor, minha mente também melhorava.

Comecei a tratar meu corpo com gratidão pelo que ele consegue fazer, em vez de criticá-lo pelo que ele não é. Essa mudança de perspectiva foi revolucionária.

Durante minha jornada, aprendi que autoestima e autoconfiança, embora relacionadas, são diferentes. Autoconfiança é acreditar na sua capacidade de fazer algo específico, enquanto autoestima é sobre seu valor intrínseco como pessoa, independente de conquistas ou habilidades.

Posso ter baixa confiança em cozinhar (porque realmente não sou boa nisso), mas isso não precisa afetar minha autoestima geral. Meu valor como pessoa não depende de ser perfeita em tudo.

Houve momentos em que percebi que precisava de mais ajuda do que conseguia dar a mim mesma. A terapia foi fundamental na minha jornada. Um psicólogo me ajudou a identificar padrões de pensamento profundamente enraizados e trabalhar traumas passados que alimentavam minha baixa autoestima.

Não há vergonha em buscar apoio profissional. Na verdade, reconhecer que você precisa de ajuda é um sinal de força e autoconsciência, não de fraqueza.

Percebi que as pessoas ao meu redor tinham um impacto enorme na minha autoestima. Comecei a buscar relacionamentos com pessoas que me apoiavam, me desafiavam de forma positiva e celebravam minhas conquistas. Afastei-me de relacionamentos que eram constantemente críticos ou competitivos.

Aprendi também a ser essa pessoa para os outros. Curiosamente, apoiar e encorajar outras pessoas fortaleceu minha própria autoestima.

A autoestima não é algo que você constrói e pronto. É um trabalho contínuo, especialmente em uma sociedade que constantemente nos bombardeia com mensagens sobre como deveríamos ser, parecer ou agir.

Hoje, tenho práticas diárias que me ajudam a manter uma autoestima saudável: meditação matinal, afirmações positivas (que no início pareciam ridículas, mas funcionam), exercícios regulares e check-ins comigo mesma sobre como estou me sentindo e se preciso ajustar algo.

Se há algo que aprendi nessa jornada é que você merece se sentir bem consigo mesmo, exatamente como você é agora. Isso não significa que não podemos crescer ou melhorar, mas nosso valor como pessoa não está condicionado a conquistas, aparência ou aprovação externa.

A transformação da autoestima é uma das melhores coisas que já fiz por mim mesma. Mudou minha vida de formas que nem imaginava serem possíveis. E se funcionou para mim, pode funcionar para você também.

Comece pequeno, seja paciente consigo mesmo e lembre-se: você está fazendo o melhor que pode com os recursos que tem agora. E isso é mais do que suficiente.

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