Você já ouviu falar no leite A2? Você sabe o que ele tem de diferente do leite tradicional? A resposta está em uma proteína presente no leite.
Entendendo as proteínas do leite
As proteínas do leite são divididas em dois grandes grupos: caseínas e proteínas do soro do leite (whey protein). As caseínas representam cerca de 80% do conteúdo proteico do leite.
Dentro das caseínas, existe uma fração chamada beta-caseína, que pode se apresentar em diferentes variantes, sendo as principais a A1 e a A2.
O leite convencional pode conter as frações A1 e A2 da beta-caseína. Já o leite A2 possui exclusivamente a fração A2 da beta-caseína, sem a presença da proteína A1.
E o que determina essa diferença?
O gene da própria vaca. Importante destacar que essas vacas não são geneticamente modificadas. O que ocorre é uma seleção genética natural dos animais.
Vacas com genótipo A2A2 produzem leite contendo exclusivamente a beta-caseína A2, sem a presença da variante A1. Por isso, esses animais são selecionados especificamente para a produção do leite A2.
Beta-caseína A1 e A2: o que muda?
Algumas pessoas parecem apresentar maior dificuldade na digestão da beta-caseína A1, podendo desenvolver sintomas como distensão abdominal, gases, alterações intestinais e má digestão, manifestações muito semelhantes às observadas na intolerância à lactose.
A diferença entre as beta-caseínas A1 e A2 ocorre devido a uma única alteração na estrutura da proteína. Na posição 67 da cadeia de aminoácidos da beta-caseína, a variante A1 apresenta histidina, enquanto a variante A2 contém prolina.
Essa pequena diferença estrutural da beta-caseína A1 pode levar à liberação da beta-casomorfina-7 (BCM-7), um peptídeo bioativo que vem sendo associado a alterações na motilidade intestinal e sintomas gastrointestinais.
Já a beta-caseína A2 apresenta menor liberação de BCM-7 durante a digestão. Por isso, pessoas que sentem estufamento, gases ou desconforto ao consumir leite comum, mas que não possuem intolerância à lactose podem perceber uma melhora ao testar o leite A2.
Outro ponto interessante é que, até o momento, a variante A1 da beta-caseína foi identificada apenas em bovinos. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam melhor tolerância a leites de cabra, ovelha ou búfala.
Mas é importante esclarecer alguns pontos:
- A intolerância à lactose é uma condição diferente. Nesse caso, o problema está na digestão da lactose, o açúcar naturalmente presente no leite e não na proteína. Portanto, o leite A2 não é isento de lactose.
- O leite A2 não é indicado para pessoas com alergia à proteína do leite de vaca, já que continua contendo proteínas lácteas, incluindo caseínas.
- O consumo do leite A2 não substitui o tratamento ou o acompanhamento adequado da intolerância à lactose.
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