EloraTZP: novo medicamento chega a 23% de perda de peso em pessoas com diabetes - Ousados Moda

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

EloraTZP: novo medicamento chega a 23% de perda de peso em pessoas com diabetes

 Apresentada nesta semana em congresso europeu, combinação experimental de tirzepatida e eloralintida chama atenção pelo potencial no tratamento da obesidade, mas efeitos colaterais ainda preocupam

 



Uma combinação experimental de dois medicamentos levou a uma perda média de até 23% do peso corporal em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2 em menos de um ano. O resultado foi apresentado pela farmacêutica Eli Lilly durante o 62nd Annual Meeting of the European Association for the Study of Diabetes (EASD), esta semana em Milão, na Itália.

A EloraTZP combina a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, com a eloralintida, uma substância ainda experimental que imita a ação da amilina, hormônio produzido pelo pâncreas depois das refeições. O resultado está entre os maiores já observados nesse grupo de pacientes, mas ainda precisa ser confirmado em estudos maiores e mais longos.

"É um resultado que chama atenção porque estamos falando de um grupo em que a perda de peso costuma ser mais difícil. A combinação parece potencializar mecanismos diferentes de controle do apetite", explica o endocrinologista e metabologista Dr. Ramon Marcelino, doutor em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês.

A proposta da EloraTZP é justamente combinar mecanismos distintos. A tirzepatida atua por uma via já utilizada nos tratamentos atuais, enquanto a eloralintida imita a amilina, que participa da sinalização de saciedade por um caminho diferente.

"É como juntar duas vias que ajudam o organismo a entender que já recebeu alimento e que não precisa continuar buscando comida. A aposta é que esses mecanismos, atuando juntos, tenham um efeito maior do que cada um isoladamente", afirma Ramon.

A estratégia ganha força com resultados de outro medicamento experimental. A CagriSema, também baseada em um mecanismo relacionado à amilina, levou a uma perda de 12,4% do peso, contra 9,1% com tirzepatida isoladamente, em pessoas com diabetes, em pouco mais de um ano.
 

Um novo rival para a retatrutida

O resultado também coloca a EloraTZP em comparação com a retatrutida, outro medicamento experimental da Eli Lilly. No mesmo congresso, a substância apresentou perda de peso de cerca de 21% em pessoas com diabetes, em um estudo de um ano e meio.

A EloraTZP alcançou percentual maior em menos tempo e também apresentou melhor controle do açúcar no sangue. A comparação, porém, deve ser feita com cautela, já que os resultados vêm de estudos diferentes.

"Não é possível dizer, apenas comparando esses números, que um medicamento é definitivamente mais potente. Para isso, seria necessário colocar os dois tratamentos frente a frente em um mesmo estudo", ressalta o endocrinologista.

A retatrutida tem, por outro lado, dados de um estudo maior e mais avançado, com mais de mil pacientes. Na dose máxima, menos de um em cada 12 participantes abandonou o tratamento por efeitos colaterais.
 

Potência versus tolerabilidade

Na EloraTZP, o principal ponto de atenção está nos efeitos gastrointestinais. Náuseas e vômitos foram comuns, principalmente no início do tratamento. Na dose mais alta, mais de um em cada quatro participantes abandonou o estudo por causa dos efeitos adversos.

A Eli Lilly avalia que aumentar a dose mais lentamente pode ajudar a reduzir o problema, mas essa hipótese ainda precisa ser comprovada.

"De nada adianta um medicamento produzir uma perda de peso muito grande se os efeitos adversos impedirem o paciente de continuar usando. A eficácia precisa caminhar junto com a tolerabilidade", afirma Ramon.

A necessidade de novas opções está relacionada justamente à resposta variável aos tratamentos. Nos grandes estudos, cerca de um em cada dez pacientes sem diabetes não conseguiu perder nem 5% do peso. Entre pessoas com diabetes, essa proporção variou de um em cada seis a quase um em cada três, dependendo do medicamento.

"A obesidade é uma doença complexa, e nenhum medicamento único vai funcionar da mesma forma para todos. Cada nova opção pode representar uma alternativa para quem ainda não encontrou uma resposta adequada ao tratamento", diz o médico.
 

Quando chega ao Brasil?


Por enquanto, nada muda para os pacientes brasileiros. A eloralintida ainda é experimental e não tem aprovação da Anvisa nem de outros países. Os estudos finais estão em andamento e devem levar alguns anos.

"Os resultados são promissores, mas ainda estamos falando de uma etapa de desenvolvimento clínico. É preciso confirmar esses achados em pesquisas maiores e entender melhor a relação entre perda de peso, segurança e tolerabilidade", conclui Ramon.

 

Sobre o especialista


Com mais de dez anos de atuação na área, o Dr. Ramon Marcelino é referência em endocrinologia e medicina do estilo de vida. Atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Em seu perfil no Instagram @dr.ramonmarcelino, compartilha conteúdos confiáveis sobre saúde, metabolismo e os avanços no tratamento da obesidade.

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