Ela ainda menstrua, mas os sintomas da menopausa já chegaram: estudo acende alerta para sinais antes do fim do ciclo - Ousados Moda

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Ela ainda menstrua, mas os sintomas da menopausa já chegaram: estudo acende alerta para sinais antes do fim do ciclo

 

Pesquisa com quase 1.500 mulheres latino-americanas mostra que sintomas importantes podem aparecer enquanto a menstruação ainda existe, e até quando o ciclo continua regular

“Mas eu ainda menstruo. Como posso estar entrando na menopausa?”

A pergunta é comum e pode fazer muitas mulheres passarem anos sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo.


Um estudo publicado em setembro acompanhou dados de 1.478 mulheres de 40 a 54 anos, de 12 países latino-americanos, e encontrou algo importante: os sintomas aumentam antes de a menstruação desaparecer. Entre mulheres de 45 a 49 anos, queixas intensas já eram frequentes mesmo entre aquelas que ainda apresentavam ciclos regulares.


A menopausa não começa no dia em que a menstruação acaba

Tecnicamente, menopausa é o momento identificado depois que a mulher completa 12 meses sem menstruar. Os anos que antecedem esse marco são chamados de perimenopausa ou transição menopausal. É justamente nessa fase que os hormônios podem oscilar e surgirem sintomas que nem sempre parecem ter relação entre si.


O sono piora. A mulher acorda cansada. Começa a esquecer palavras ou perde a linha do raciocínio no meio de uma conversa. Fica mais irritada, sente mudanças no desejo sexual, dores articulares, palpitações ou ondas de calor. E ainda menstrua.


“Existe uma ideia muito enraizada de que menopausa é sinônimo de parar de menstruar. Quando a mulher continua tendo ciclos, muitas vezes nem ela considera a transição hormonal como possibilidade. Só que os sintomas podem começar anos antes”, explica o Dr. Arthur Victor de Carvalho, médico especialista em menopausa, lipedema e hormônios.


Nem sempre o primeiro sinal é um fogacho

Quando se fala em menopausa, a imagem mais conhecida ainda é a mulher abanando o rosto durante uma onda de calor. Mas a experiência pode começar de formas bem menos óbvias.


Problemas de sono, alterações de humor, dificuldade de concentração, falhas de memória, dores musculares e articulares, mudanças menstruais, queda da libido e ressecamento vaginal estão entre os sintomas associados à transição menopausal.


É por isso que algumas mulheres passam primeiro pelo cardiologista por causa das palpitações, pelo psiquiatra por causa da ansiedade, pelo ortopedista pelas dores ou simplesmente concluem que estão exaustas porque trabalham demais.


Às vezes estarão certas. Nem tudo depois dos 40 é hormônio. Mas ignorar completamente essa possibilidade também pode atrasar uma avaliação adequada.


O estudo mostra que o impacto ultrapassa o consultório

A pesquisa latino-americana encontrou também pior qualidade de vida e menor satisfação profissional entre mulheres em fases mais avançadas da transição. Os autores chamam atenção justamente para a necessidade de reconhecer esses sintomas mais cedo.


Isso importa porque essa fase costuma coincidir com um período de enorme cobrança.


A mulher pode estar no auge da carreira, cuidando dos filhos, dos pais, da casa e das próprias responsabilidades enquanto tenta entender por que deixou de dormir como antes, por que está mais cansada ou por que sua concentração parece ter mudado.


“Quando ninguém conecta os pontos, ela pode começar a interpretar uma mudança fisiológica como uma falha pessoal: acha que está menos competente, menos produtiva ou simplesmente ficando velha. O primeiro passo não é colocar tudo na conta da menopausa, mas investigar”, afirma o Dr. Arthur.

Ainda menstruar não significa que é cedo demais para procurar ajuda

Mudanças no ciclo costumam ser um dos sinais mais reconhecidos da perimenopausa: a menstruação pode vir mais cedo, mais tarde, ficar mais intensa, mais leve ou começar a falhar. Mas o estudo chama atenção justamente porque sintomas relevantes também apareceram entre mulheres que ainda relatavam ciclos regulares.


Isso não significa que qualquer mulher cansada aos 45 anos esteja na perimenopausa.


Anemia, alterações da tireoide, deficiência de nutrientes, depressão, distúrbios do sono e outras condições podem produzir sintomas semelhantes. Sangramentos anormais também precisam ser investigados em vez de simplesmente atribuídos à idade.


A avaliação existe justamente para separar essas possibilidades.

“Não é preciso esperar a menstruação desaparecer para conversar sobre sintomas. E também não significa que toda mulher nessa fase precisará de reposição hormonal. O tratamento depende daquilo que ela sente, do impacto na vida, do histórico de saúde, dos riscos individuais e das alternativas disponíveis”, explica o Dr. Arthur Victor de Carvalho.


A própria identificação da perimenopausa em mulheres acima dos 45 anos pode ser feita muitas vezes pela combinação entre idade, sintomas e mudanças menstruais, sem necessidade de transformar uma fotografia isolada dos hormônios em resposta para tudo.


Talvez, portanto, uma das perguntas mais importantes dessa fase da vida não seja apenas: “Quando minha menstruação vai parar?”

Mas também: “O que já mudou no meu corpo enquanto ela ainda não parou?”

Dr. Arthur Victor de Carvalho é médico especialista em menopausa, lipedema e modulação hormonal. Atua com foco na saúde da mulher moderna, unindo ciência, escuta e individualização para devolver às pacientes o que a medicina tradicional muitas vezes ignorou: vitalidade, bem-estar e liberdade para envelhecer com potência.

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