“Mas eu ainda menstruo. Como posso estar entrando na menopausa?”
A pergunta é comum e pode fazer muitas mulheres passarem anos sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo.
Um estudo publicado em setembro acompanhou dados de 1.478 mulheres de 40 a 54 anos, de 12 países latino-americanos, e encontrou algo importante: os sintomas aumentam antes de a menstruação desaparecer. Entre mulheres de 45 a 49 anos, queixas intensas já eram frequentes mesmo entre aquelas que ainda apresentavam ciclos regulares.
A menopausa não começa no dia em que a menstruação acaba
Tecnicamente, menopausa é o momento identificado depois que a mulher completa 12 meses sem menstruar. Os anos que antecedem esse marco são chamados de perimenopausa ou transição menopausal. É justamente nessa fase que os hormônios podem oscilar e surgirem sintomas que nem sempre parecem ter relação entre si.
O sono piora. A mulher acorda cansada. Começa a esquecer palavras ou perde a linha do raciocínio no meio de uma conversa. Fica mais irritada, sente mudanças no desejo sexual, dores articulares, palpitações ou ondas de calor. E ainda menstrua.
“Existe uma ideia muito enraizada de que menopausa é sinônimo de parar de menstruar. Quando a mulher continua tendo ciclos, muitas vezes nem ela considera a transição hormonal como possibilidade. Só que os sintomas podem começar anos antes”, explica o Dr. Arthur Victor de Carvalho, médico especialista em menopausa, lipedema e hormônios.
Nem sempre o primeiro sinal é um fogacho
Quando se fala em menopausa, a imagem mais conhecida ainda é a mulher abanando o rosto durante uma onda de calor. Mas a experiência pode começar de formas bem menos óbvias.
Problemas de sono, alterações de humor, dificuldade de concentração, falhas de memória, dores musculares e articulares, mudanças menstruais, queda da libido e ressecamento vaginal estão entre os sintomas associados à transição menopausal.
É por isso que algumas mulheres passam primeiro pelo cardiologista por causa das palpitações, pelo psiquiatra por causa da ansiedade, pelo ortopedista pelas dores ou simplesmente concluem que estão exaustas porque trabalham demais.
Às vezes estarão certas. Nem tudo depois dos 40 é hormônio. Mas ignorar completamente essa possibilidade também pode atrasar uma avaliação adequada.
O estudo mostra que o impacto ultrapassa o consultório
A pesquisa latino-americana encontrou também pior qualidade de vida e menor satisfação profissional entre mulheres em fases mais avançadas da transição. Os autores chamam atenção justamente para a necessidade de reconhecer esses sintomas mais cedo.
Isso importa porque essa fase costuma coincidir com um período de enorme cobrança.
A mulher pode estar no auge da carreira, cuidando dos filhos, dos pais, da casa e das próprias responsabilidades enquanto tenta entender por que deixou de dormir como antes, por que está mais cansada ou por que sua concentração parece ter mudado.
“Quando ninguém conecta os pontos, ela pode começar a interpretar uma mudança fisiológica como uma falha pessoal: acha que está menos competente, menos produtiva ou simplesmente ficando velha. O primeiro passo não é colocar tudo na conta da menopausa, mas investigar”, afirma o Dr. Arthur.
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