Colágeno no drinque funciona? Médica explica o que acontece quando o suplemento encontra o álcool - Ousados Moda

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Colágeno no drinque funciona? Médica explica o que acontece quando o suplemento encontra o álcool

 “A combinação parece moderna e saudável, mas o detalhe mais importante não aparece no nome do drinque”, afirma a dermatologista Joana Petito Magnavita

 

Créditos: iStock | @harmonizegoldoficial | @drajoanapetito | CO ASSESSORIA

 

Receitas de gin tônica, spritz, coquetéis com vodca e até espumante começaram a incorporar um ingrediente normalmente associado aos cuidados com a pele: o colágeno. Em cardápios, eventos e vídeos nas redes sociais, o pó é acrescentado às bebidas como um atrativo de beleza. Mas o que realmente acontece quando ele é consumido junto com o álcool?

O nome no cardápio não revela qual tipo de colágeno entrou na receita, quanto foi adicionado à taça nem se aquela quantidade teria alguma relevância. De acordo com a dermatologista Joana Petito Magnavita (CRM 5287826-0), da Harmonize Gold, também não é correto afirmar que o álcool simplesmente destrói o ingrediente. “O colágeno não desaparece quando é colocado na bebida. O problema é imaginar que a presença dele transforma aquele coquetel em suplementação ou garante algum resultado para a pele”, explica.

Não existe uma dose padronizada de colágeno para coquetéis alcoólicos. Como referência, a Anvisa só autoriza a alegação de auxílio à manutenção da saúde da pele em suplementos que forneçam, na recomendação diária, pelo menos 2,5 gramas de peptídeos bioativos de colágeno hidrolisado com peso molecular médio de 2 kDa. A regra vale para suplementos e não significa que acrescentar a mesma quantidade a uma bebida alcoólica produza o benefício esperado. Sem a identificação do peptídeo, a dose e a regularidade de consumo, a palavra “colágeno” diz pouco sobre o possível efeito da receita.

Mesmo quando o ingrediente está presente em quantidade informada, a ingestão não se compara ao bioestímulo realizado na pele. Pela via oral, o colágeno é digerido e seus peptídeos são distribuídos pelo organismo; no procedimento, a resposta é provocada diretamente na região tratada. “Uma taça ocasional não reproduz as condições de uma suplementação estudada e muito menos a ação localizada de um bioestimulador. É um drinque alcoólico com colágeno, não um tratamento de beleza servido em uma taça”, conclui.

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