Labirintite tira André Ramalho de jogo do Corinthians: neurologista explica por que uma crise de tontura pode incapacitar até um atleta - Ousados Moda

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Labirintite tira André Ramalho de jogo do Corinthians: neurologista explica por que uma crise de tontura pode incapacitar até um atleta

 


Caso do zagueiro chama atenção para um problema frequentemente chamado de “labirintite”, mas médico alerta: nem toda tontura vem do labirinto

 

O zagueiro André Ramalho, do Corinthians, virou desfalque após ser diagnosticado com um quadro divulgado como labirintite. O problema impediu o jogador de entrar em campo contra o Cruzeiro, no domingo, dia 16, pelo Campeonato Brasileiro.

 

O episódio chama atenção porque tontura, vertigem e alterações do equilíbrio podem surgir de maneira intensa e comprometer atividades aparentemente simples e, no caso de um atleta profissional, inviabilizar completamente seu desempenho.

 

Segundo o neurologista Dr. Saulo Nader, conhecido por sua atuação em tontura e distúrbios do equilíbrio, o primeiro ponto é entender que o termo “labirintite” é utilizado popularmente para situações muito diferentes.

 

“Uma crise de vertigem pode ser extremamente incapacitante. Imagine um jogador que depende de equilíbrio, visão, movimentos rápidos e mudanças bruscas de direção. Se esse sistema não está funcionando adequadamente, não existem condições seguras para uma atividade esportiva de alta performance”, ressalta Nader.

 

MAS TODA TONTURA É LABIRINTITE?

 

Não. E esse é justamente um dos principais alertas do neurologista .

 

“As pessoas costumam chamar qualquer tontura de labirintite, mas existem inúmeras causas para esse sintoma. O diagnóstico correto é fundamental porque o tratamento depende da origem do problema”, explica Dr. Saulo.

 

Entre as possibilidades estão várias situações como a soltura dos cristais do labirinto (doença chamada de VPPB), enxaqueca vestibular, queda de pressão, AVC e outras condições que precisam ser diferenciadas durante a investigação médica. 

“Cada doença tem um tratamento totalmente diferente da outra - não tem esse da remedinhos pra “labirintite” e pronto. Isso é um perigo, pois mascara a tontura sem realmente a tratar. O que precisa é o tratamento específico para causa da tontura que a pessoa está tendo, para parar de ter e não voltar a ter no futuro”, enfatiza o neurologista.

 

POR QUE PODE SURGIR DE REPENTE?

 

Uma pessoa pode estar aparentemente bem e, de repente, apresentar sensação de que tudo está girando, desequilíbrio, náuseas, vômitos e dificuldade para permanecer em pé ou caminhar. Pode acontecer com qualquer um - a chance de alguma tontura ao longo da vida é bem alta, 30% das pessoas podem ter.

 

No esporte profissional, esses sintomas ganham ainda mais importância porque equilíbrio e orientação espacial são fundamentais para correr, saltar, disputar uma bola e realizar movimentos rápidos.

 

QUANDO A TONTURA É SINAL DE ALERTA?

 

O Dr. Saulo reforça que alguns quadros exigem avaliação médica imediata, especialmente quando a tontura aparece acompanhada de sintomas neurológicos, como fraqueza ou dormência de um lado do corpo, dificuldade para falar, visão dupla, perda importante de coordenação, desmaio ou dor de cabeça súbita e muito intensa.

 

“O mais importante é não banalizar uma tontura intensa e também não assumir automaticamente que se trata de labirintite. É preciso entender a causa”, destaca o Dr. Saulo Nader, conhecido pelos pacientes e nas redes sociais como @doutortontura.

 

O episódio envolvendo André Ramalho abre espaço para uma discussão que vai muito além do futebol: tontura é sintoma, não diagnóstico, e uma investigação adequada pode fazer toda a diferença para indicar o tratamento correto.

 

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