Lilith é uma das figuras mais antigas e complexas da mitologia e da espiritualidade. Presente em tradições mesopotâmicas, textos hebraicos e releituras contemporâneas, seu nome atravessa séculos carregando significados que vão muito além das interpretações distorcidas que se popularizaram ao longo do tempo. Mais do que um mito, Lilith se tornou um símbolo poderoso da autonomia feminina, da recusa à submissão e da coragem de existir segundo a própria natureza.
De acordo com narrativas antigas, Lilith teria sido a primeira mulher, criada da mesma matéria que o homem. Ao se recusar a ocupar um lugar de obediência e inferioridade, escolheu partir. Essa decisão, que por muito tempo foi retratada como transgressão ou rebeldia negativa, hoje é revisitada sob outra perspectiva: a da mulher que não aceita ser apagada para caber em um sistema que não a reconhece.
Ao longo da história, Lilith foi associada ao medo do feminino livre. Seu arquétipo passou a representar aquilo que não se controla, não se domestica e não se silencia. Por isso, foi transformada em sombra, ameaça ou tabu. No entanto, nas leituras contemporâneas, Lilith ressurge como referência de consciência, força interior e reconexão com a própria identidade.
Lilith é símbolo das experiências profundamente humanas e especialmente femininas: abandono, rejeição, perda de autoestima, silenciamento emocional e ruptura com a própria essência. Para muitas mulheres, sua história ecoa sentimentos comuns, o olhar que já não reconhece valor no espelho, a sensação de não ser vista, de não ser desejada, de não encontrar lugar no mundo ou de carregar traumas que parecem impossíveis de curar.
É nesse ponto que o arquétipo de Lilith deixa de ser apenas histórico e se torna transformador. Ela representa a mulher que cai, mas se levanta. Que atravessa o vazio, a dor e o rompimento, e ainda assim encontra força para reconstruir a própria vida. Lilith não promete suavidade, mas oferece consciência. Não entrega atalhos, mas devolve dignidade, coragem e poder pessoal.
Para mulheres que se sentem traídas pela própria história, que perderam a vaidade, a motivação, o desejo de viver ou a confiança em si mesmas, Lilith surge como um chamado à retomada do próprio caminho. Um convite a encarar a própria sombra sem culpa e a resgatar a força que foi soterrada por expectativas, relações abusivas ou estruturas que insistem em diminuir o feminino.
Inspirada por esse arquétipo, a sacerdotisa Analu Portugal realiza no dia 10 de abril, em São Paulo, o Encontro das Mulheres na Força de Lilith. A proposta não é oferecer promessas fáceis, mas criar um espaço de escuta, reconexão e fortalecimento feminino, voltado a mulheres que sentem que a vida perdeu sentido, que carregam vazios emocionais, traumas profundos ou a sensação de que já não conseguem seguir sozinhas.
O encontro se propõe como um momento de reconexão com a própria força, coragem e autonomia, a partir da simbologia de Lilith como instrumento de despertar e empoderamento. Para muitas mulheres, esse contato representa o primeiro passo para se levantar novamente.
Mulheres interessadas em participar podem buscar informações e inscrições pelo WhatsApp (21) 99086-7337. Em um tempo marcado por rupturas e reconstruções, Lilith retorna não como ameaça, mas como lembrança: a força que transforma sempre esteve ali, apenas aguardando ser reconhecida. @sacerdotisa.maeanalu
Imagem: Divulgação Analu Portugal
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