Sacerdote de Quimbanda, Ranier Gulusian - Bàbá Exu, explica como essa tecnologia ancestral utiliza elementos em processos de troca energética.
Muito conhecido, mas ainda pouco compreendido fora das religiões de matriz africana, o ebó é um ritual que utiliza elementos da natureza para promover, dentro da tradição religiosa, trocas energéticas capazes de limpar, equilibrar, proteger e movimentar diferentes aspectos da vida de uma pessoa.
Considerado uma tecnologia ancestral, o ebó reúne conhecimentos transmitidos ao longo de gerações sobre a utilização ritualística de grãos, frutas, folhas, bolinhos e outros alimentos, que podem ser passados pelo corpo do consulente. Em determinados fundamentos, animais também podem participar. Segundo o sacerdote de Quimbanda Ranier Gulusian - Bàbá Exu, cada elemento é escolhido de acordo com aquilo que se pretende retirar ou movimentar.
“O princípio do ebó é a troca. Os elementos entram em contato com o consulente para receber determinadas cargas e, ao mesmo tempo, transmitir as forças que carregam dentro daquele fundamento. Nada é escolhido aleatoriamente”, explica Ranier.
Essa lógica pode ser percebida até na forma como os alimentos são preparados. Em determinados ebós de limpeza e descarrego, por exemplo, são utilizados grãos cozidos. Dentro da concepção religiosa, ao serem passados pelo corpo, eles recebem as energias que se deseja retirar. Depois, são destinados à natureza, onde serão consumidos por outros seres ou entrarão em decomposição.
“O grão cozido não vai germinar. Existe um simbolismo nisso: aquilo que foi retirado da pessoa não deve voltar a crescer ou florescer em sua vida. A carga é retirada, neutralizada e aquele ciclo é encerrado”, explica o sacerdote.
Dentro da crença religiosa, é justamente esse princípio que faz com que determinados ebós sejam utilizados para libertar uma pessoa de pragas, maldições, feitiços, demandas e outras influências espirituais negativas. O ritual busca retirar essas cargas do consulente, direcioná-las aos elementos utilizados e dar a elas o destino determinado pelo fundamento.
“Existe fundamento na escolha do grão, da folha, da fruta, na maneira como aquilo é preparado, passado pelo corpo e destinado depois. O ebó é um conhecimento transmitido entre gerações e continua sendo uma das principais ferramentas de limpeza, proteção e equilíbrio espiritual dentro das nossas tradições”, conclui Ranier Gulusian - Bàbá Exu.
Instagram: @baba.exu.oficial
Sobre Bàbá Exu:
Ranier Gulusian, conhecido religiosamente como Bàbá Èsùkunlé (Bàbá Exu), é sacerdote de Quimbanda, pesquisador das tradições afro-brasileiras e dos cultos de matriz africana. Com mais de duas décadas de dedicação à espiritualidade, atua na formação religiosa, atendimentos espirituais, pesquisas e produção de conteúdo voltado à desmistificação da Quimbanda, promovendo conhecimento, responsabilidade e respeito às tradições ancestrais. É fundador da Casa Luz da Estrela Guia e da Casa de N'ganga, em São Paulo, e uma das vozes de destaque na preservação e difusão da Quimbanda Congo, Angola e Brasileira.
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