Da casa dos Jetsons à automação invisível, o que realmente vale a pena conectar? - Ousados Moda

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Da casa dos Jetsons à automação invisível, o que realmente vale a pena conectar?

 

Para Euclides Ciruelos, diretor da HOTFLOOR e mentor da SmartLy, a nova geração da automação residencial deve integrar piso aquecido, climatização, iluminação, segurança e gestão inteligente de energia

Quando Os Jetsons apresentava, nos anos 1960, uma família vivendo em uma casa cheia de comandos automáticos, aquilo parecia uma promessa distante do futuro. Mais de meio século depois, portas, iluminação, climatização, cortinas e até o conforto térmico já podem ser controlados por sistemas conectados. O desafio da casa inteligente, porém, mudou: não é mais ter tecnologia, mas saber onde ela realmente faz diferença na rotina. Nesse cenário, automação residencial, conforto térmico e eficiência energética passam a funcionar como partes de um mesmo ecossistema.

A popularização dos dispositivos conectados colocou a automação residencial em uma nova etapa. O consumidor já não precisa escolher entre ter ou não uma casa conectada. Lâmpadas, câmeras, fechaduras, aparelhos de ar-condicionado, tomadas e eletrodomésticos inteligentes estão cada vez mais presentes nas residências. A questão passa a ser outra: como fazer com que todos esses equipamentos trabalhem juntos — e, principalmente, resolvam problemas reais?

Para Euclides Ciruelos, engenheiro civil, mestre em sustentabilidade, diretor da HOTFLOOR Piso Aquecido e mentor da SmartLy, a mudança representa uma evolução na própria maneira de pensar a tecnologia aplicada às edificações. “Durante muitos anos, a engenharia concentrou seus esforços em proteger as construções da umidade e das chuvas. Agora, o desafio também passa a ser controlar o ganho excessivo de calor. Isso muda completamente a lógica do projeto”, afirma.

O raciocínio ajuda a ampliar o conceito de casa inteligente. Automação não é apenas acender uma lâmpada pelo celular ou abrir uma cortina por comando de voz. É fazer com que a residência responda às condições do ambiente e aos hábitos de quem vive nela. “A automação possibilita manter o conforto térmico utilizando apenas a energia necessária. Ao mesmo tempo, monitora a demanda elétrica, evita sobrecargas e aumenta a confiabilidade das instalações”, diz Euclides Ciruelos.

O que realmente vale a pena automatizar em uma casa inteligente?

A resposta não está necessariamente na quantidade de equipamentos conectados. Uma boa regra é observar tarefas repetitivas, ambientes que exigem controle constante e situações em que a tecnologia pode proporcionar mais conforto, segurança ou eficiência.

Iluminação é um dos exemplos mais conhecidos. Em vez de simplesmente ligar e desligar lâmpadas pelo celular, sistemas integrados permitem criar cenas para diferentes momentos do dia, ajustando intensidade e temperatura de cor.

Segurança é outra área em que a automação pode deixar de ser conveniência para se tornar infraestrutura. Fechaduras, câmeras, sensores e alarmes podem ser integrados, permitindo que diferentes equipamentos reajam a uma mesma situação.

Climatização também ganha espaço. A temperatura de cada ambiente pode ser programada de acordo com horários e características de uso. E, em um país sujeito a períodos cada vez mais intensos de calor, o controle térmico ganha importância não apenas pelo conforto, mas pelo impacto sobre o consumo de energia.

É nesse ponto que soluções como o piso aquecido elétrico HOTFLOOR começam a fazer parte de um ecossistema maior de automação residencial. A HOTFLOOR trabalha com sistemas de aquecimento instalados sob o revestimento, que podem ser controlados individualmente por ambiente. Integrado às soluções SmartLy, o sistema deixa de ser simplesmente um equipamento que o morador liga quando sente frio e passa a funcionar de acordo com horários e temperaturas programadas.

A lógica vale também para outras situações. Persianas podem acompanhar a incidência solar. Sistemas de climatização podem ser acionados antes da chegada dos moradores. A iluminação pode acompanhar a rotina da casa. E o consumo de energia pode ser monitorado em tempo real.

Automação residencial: menos aparelhos, mais integração

O amadurecimento da automação também muda a relação entre tecnologia e arquitetura. Durante anos, a automação era incorporada ao projeto como um complemento. Hoje, em residências mais sofisticadas, infraestrutura, conectividade, iluminação, climatização e conforto térmico podem ser pensados desde o início.

A diferença é importante. Uma casa pode ter dezenas de equipamentos conectados e, ainda assim, obrigar o morador a utilizar diferentes aplicativos para controlar cada função. Existe tecnologia, mas pouca inteligência.

Para Euclides Ciruelos, o próximo estágio está justamente na integração. “Automação não deveria ser percebida pelo morador o tempo todo. O objetivo é que a tecnologia resolva situações antes que a pessoa precise pensar nelas”, afirma.

 Essa mudança também está relacionada ao avanço das condições climáticas. O aumento das temperaturas coloca pressão sobre sistemas de climatização e, consequentemente, sobre a rede elétrica.

Segundo Ciruelos, a adaptação precisa começar pelo próprio projeto das edificações. “Precisamos deixar de projetar edifícios para o clima do passado e começar a projetá-los para o clima do futuro”, enfatiza. Isso significa combinar arquitetura, materiais, isolamento térmico, sombreamento, ventilação, climatização e automação.

Eficiência energética: inteligência também significa consumir menos

A automação começa, portanto, a cumprir uma função que vai além da conveniência. Sistemas conectados a sensores podem identificar temperatura, presença e demanda e ajustar equipamentos automaticamente. Em vez de manter todos os sistemas funcionando na mesma intensidade durante todo o dia, a casa pode adaptar seu funcionamento à necessidade.

A SmartLy trabalha com soluções de integração e gerenciamento de diferentes sistemas residenciais. Entre elas está o

Controle Inteligente de Demanda, desenvolvido para distribuir automaticamente o consumo elétrico e reduzir picos de carga. “Resiliência climática deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser um requisito econômico. Investir em isolamento térmico, automação predial, gestão inteligente da climatização e monitoramento em tempo real significa proteger o patrimônio contra os efeitos das mudanças climáticas, reduzir despesas ao longo da vida útil da edificação e preservar o valor do ativo”, afirma Euclides Ciruelos.

A lógica vale tanto para novos projetos quanto para imóveis existentes. Sistemas de automação podem ser incorporados a reformas e retrofits, permitindo atualizar edifícios sem necessariamente reconstruí-los.

Casa inteligente: a tecnologia que desaparece

Talvez esse seja o principal indicador de uma casa realmente inteligente. Na primeira geração da automação residencial, a tecnologia precisava ser percebida. Havia painéis, telas, comandos e aplicativos para demonstrar que a casa era automatizada.

Agora, a tendência é justamente o contrário. A tecnologia começa a desaparecer.

Uma casa inteligente pode ser aquela em que o morador quase não precisa tocar em nada. A iluminação se ajusta, a temperatura é controlada, as persianas respondem à incidência solar e os sistemas elétricos distribuem a demanda sem que seja necessário operar cada equipamento individualmente. “A automação possibilita manter o conforto térmico utilizando apenas a energia necessária”, resume Ciruelos.

É uma mudança de lógica. Quando conectar uma lâmpada ao celular era novidade, a conectividade era o produto. Hoje, ela é apenas o ponto de partida. O valor está na capacidade de integrar sistemas, antecipar necessidades, personalizar ambientes e tornar a rotina mais simples.

A casa dos Jetsons talvez ainda esteja longe em alguns aspectos. Mas uma de suas principais promessas já deixou de ser ficção: a ideia de que a tecnologia pode cuidar da casa sem exigir a atenção de quem vive nela. No fim, a casa mais inteligente pode não ser aquela que tem mais tecnologia, mas aquela em que a tecnologia faz mais e aparece menos.

 

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