Observatório das Desigualdades lança raio-x socioeconômico do Brasil no Museu das Favelas - Ousados Moda

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Observatório das Desigualdades lança raio-x socioeconômico do Brasil no Museu das Favelas

 

A renda de mulheres negras é 42,2% da dos homens não negros; no Sudeste, elas chefiam 63,3% dos domicílios em déficit habitacional


 O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, sob gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg), sediou nesta quinta-feira (27), o lançamento oficial do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades. O evento integra a programação do Encontro Estéticas das Periferias: Mulheridades em Movimento – Das Quebradas ao Centro, trazendo um levantamento que consolida 48 indicadores socioeconômicos estratégicos do país.

Com rigor técnico assinado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e articulação do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades e da Ação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD), o relatório utiliza os eixos de raça, gênero, renda e territorialidade para diagnosticar as barreiras de mobilidade socioeconômica no país. O estudo comprova que o crescimento da economia do país avançou, mas continua esbarrando em um funil estrutural: o trabalho de cuidado não remunerado e a precarização do emprego seguem penalizando prioritariamente as mulheres negras, travando a correspondente melhoria de dignidade igualitária para todas as pessoas, especialmente nos territórios periféricos.

Em nível nacional, a remuneração média mensal desse grupo é de apenas R$ 2.184, o que corresponde a escassos 42,2% do rendimento recebido por homens não negros. Os reflexos da renda comprometida impactam diretamente as condições de moradia: na Região Sudeste, 63,3% dos domicílios em situação de déficit habitacional são chefiados por mulheres, tendo o ônus excessivo com o aluguel como o principal vetor dessa vulnerabilidade (76,6% dos casos).

Para a diretora do Museu das Favelas, Natália Cunha, a instituição se consolida como um espaço estratégico para reflexões, encontros e análises capazes de qualificar decisões de impacto público e privado.

“Dados não são números abstratos: eles revelam realidades, evidenciam desigualdades e, sobretudo, nos ajudam a construir caminhos. Quando o Museu das Favelas promove e sedia o lançamento de uma publicação dessa relevância, reafirma seu papel como espaço de produção e circulação de conhecimento sobre as favelas e periferias brasileiras. Colocar essas evidências no centro do debate é fundamental para pensarmos o desenvolvimento do país. Não há avanço econômico consistente enquanto a produtividade, o conhecimento e a potência das mulheres periféricas permanecerem invisibilizados nas análises e nas decisões que orientam o Brasil.”

SOBRE O MUSEU DAS FAVELAS
O Museu das Favelas é uma instituição do Estado de São Paulo, gerida pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg). Possui a missão de conectar e garantir o protagonismo das múltiplas favelas brasileiras, preservando suas memórias e potencializando suas produções culturais por meio de exposições, programações, ações educativas, pesquisa e difusão de informação. Por meio de sua relevância cultural, recebeu o Selo de Igualdade Racial 2025, que destaca iniciativas que promovem a equidade racial e a diversidade no mercado de trabalho. Também foi premiado pela APCA 2024, na categoria Música Popular – Projetos Especiais, com a exposição ‘Racionais MC’s: O Quinto Elemento’, reconhecido também como a Melhor Atração Turística no 4º Prêmio do Afroturismo - Guia Negro, em 2026. 

Na temporada de 2026, por meio da Lei de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, o Museu tem a Meta como mantenedora, patrocínio do Mercado Livre, apoio da EY e EATON, cooperação da Unesco e parceria institucional da CUFA – Central Única das Favelas. Localizado no Largo Páteo do Colégio, nº 148, o Museu das Favelas possui entrada gratuita, funcionando de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. Saiba mais em: museudasfavelas.org.br.

Sobre a ABCD 
A Ação Brasileira de Combate às Desigualdades é uma rede composta por 120 organizações da sociedade civil comprometidas em diferentes temas. Em comum, reivindicam que desigualdade é injustiça. A ABCD é instância coordenadora do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, que anualmente monitora oito dimensões das desigualdades com apoio técnico do DIEESE.

 

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