Arthur Simon estreia na literatura com romance que mistura descoberta da sexualidade, suspense sobrenatural e crítica ao conservadorismo - Ousados Moda

Destaque

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Arthur Simon estreia na literatura com romance que mistura descoberta da sexualidade, suspense sobrenatural e crítica ao conservadorismo

 


Em Lana, como eu odeio esses caras!, autor cria uma narrativa ambientada em 2008, entre referências pop, memórias de um passado de repressão e uma história de amor entre duas adolescentes.


“Arthur Simon constrói uma narrativa cinematográfica onde o humor faz respirar entre os momentos de tensão crescente e o amor aparece quando ninguém o estava buscando. O romance se ilumina com personagens que ficam na memória, articulando temas como identidade, desejo e a coragem de enfrentar o ódio quando ele tem nome, endereço e se organiza.”

Andrezza Postay, escritora e professora de Escrita Criativa


Uma mudança inesperada para uma pequena cidade do interior coloca uma adolescente diante de sentimentos que ainda não sabe nomear, de uma amizade que se transforma em amor e de uma ameaça que atravessa gerações. Em Lana, como eu odeio esses caras! (Casa de Astérion, 326 páginas), romance de estreia de Arthur Simon, Jéssica é arrancada da vida que conhecia em Florianópolis e levada para Hortênsias, cidade fictícia de colonização alemã em Santa Catarina. Ali, em meio à hostilidade de uma comunidade fechada, ela conhece Lana, uma vizinha de cabelo platinado, tatuagem de arco-íris e uma habilidade surpreendente: mover objetos com a mente.


Ambientado em 2008, o romance combina coming-of-age, suspense sobrenatural e thriller político para contar uma história sobre identidade, desejo, pertencimento e enfrentamento do conservadorismo. Ao mesmo tempo em que acompanha a descoberta da bissexualidade de Jéssica e sua aproximação com Lana, o livro mergulha em um passado marcado pela repressão e revela que determinadas ideias não ficaram restritas aos livros de História.


A ambientação também recupera um período de transição tecnológica e cultural que marcou uma geração. Orkut, MSN e comunidades virtuais aparecem ao lado de referências pop como Britney Spears e Friends. Jéssica é fã de Britney e escuta o recém-lançado Blackout, enquanto mantém conversas pelo MSN com a amiga que ficou na cidade anterior. Esses elementos ajudam a reconstruir o cotidiano de 2008 e aproximam o leitor da experiência da protagonista.


Um amor em meio ao conservadorismo

A relação entre Jéssica e Lana é um dos centros da narrativa. Em uma cidade onde aquilo que foge do padrão é recebido com desconfiança ou violência, a aproximação entre as duas se transforma em espaço de descoberta, acolhimento e enfrentamento.


É Lana quem ajuda Jéssica a compreender e nomear sua própria sexualidade. "A gente nasce do jeito que tem que nascer", diz a personagem em um dos momentos mais marcantes da história. A partir daí, o romance aborda o peso do armário, o medo da rejeição familiar e a importância da aceitação, especialmente durante a adolescência.


Para Simon, Lana, como eu odeio esses caras! é também o livro que gostaria de ter encontrado quando era mais jovem. "O livro que eu gostaria de ter lido (e, melhor ainda, escrito) quando mais jovem", afirma o autor.


A dimensão LGBTQIAPN+ da narrativa não aparece, porém, isolada da história de suspense. O amor entre as protagonistas está diretamente ligado ao conflito maior que atravessa Hortênsias, fazendo com que a descoberta individual de Jéssica se encontre com uma disputa mais ampla sobre memória, identidade e poder.


Um passado que insiste em permanecer

Enquanto Jéssica e Lana se aproximam, a descoberta de diários de 1942 amplia a dimensão da trama. Os registros revelam que o avô de Lana viveu um amor proibido durante o Estado Novo, período marcado pela repressão a imigrantes alemães e pela perseguição a homossexuais.


O passado, entretanto, não está encerrado. O nazismo e o integralismo aparecem na trama associados a uma organização secreta que continua atuando na cidade. A investigação leva os personagens a perceberem que as ideias que sustentaram diferentes formas de violência no passado ainda podem encontrar espaço no presente.


"Hortênsias é a prova de que os ideais nazistas ainda estão entre nós", escreve a mãe de Jéssica, jornalista, em um artigo que explicita uma das principais tensões políticas do romance.


A construção desse conflito também dialoga com pesquisas realizadas pelo próprio autor sobre o conservadorismo em Santa Catarina. Segundo Simon, esses temas são "temas que me compõem" e, por isso, não poderiam ficar de fora da obra.

A história transforma, assim, o resgate histórico em parte essencial do suspense. Ao investigar o passado da cidade, as personagens também precisam lidar com aquilo que permanece vivo no presente.


Uma narrativa construída como "história dentro da história"

A escrita de Simon é "cinematográfica e hiperestésica", termos utilizados pelo mestre Luiz Antonio de Assis Brasil, com quem concluiu uma oficina literária em julho de 2026.


O romance alterna momentos de tensão e cenas de intimidade, construindo uma narrativa que se desloca entre diferentes tempos, registros e perspectivas. Além da narração tradicional, a obra incorpora bilhetes, posts em fóruns da internet, artigos de jornal e um diário íntegro transcrito.


Essa estrutura cria o efeito de uma "história dentro da história" e rompe com uma narrativa inteiramente linear. O leitor acompanha a investigação do presente ao mesmo tempo em que acessa documentos e registros que ajudam a reconstruir o passado de Hortênsias.


"O lugar é aqui", frase que ecoa no diário do avô de Lana, torna-se um dos lemas de uma história sobre pertencimento e sobre a decisão de permanecer e lutar mesmo quando as circunstâncias parecem estar contra os personagens.


O humor também participa dessa construção. Em meio ao suspense e aos conflitos políticos, a narrativa abre espaço para referências da cultura pop e para diálogos que aproximam as personagens do leitor, criando um contraste entre a leveza da adolescência e a violência que atravessa a história.


Para Simon, a literatura de entretenimento também pode exercer uma função formativa. É nesse espaço, entre diversão, identificação e reflexão, que o autor afirma"orgulhosamente produzir".


Sobre o autor

Arthur Simon, 32 anos, nasceu, cresceu e vive em Florianópolis, com uma breve passagem por uma cidade de três mil habitantes na Califórnia. Formado em Direito em 2016, é servidor público desde 2018 e atua atualmente como Analista Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região.


A escrita ganhou espaço em sua trajetória a partir de 2023, quando iniciou uma especialização em Escrita Criativa pela PUCRS, concluída em 2024. Desde 2025, cursa Letras, Língua Portuguesa, na UFSC. Em 2024, recebeu menção honrosa no 4º Prêmio Literário Máquina de Contos com o conto O presente de Marta.


A gênese de Lana, como eu odeio esses caras! começou com uma imagem recorrente: duas meninas em uma floresta. Para o autor, "foi o meu livro que me escolheu". Nos agradecimentos, ele escreve sobre a esposa: "Não haveria livro sem ela; não haveria sequer Arthur-escritor sem ela".


Simon também idealizou um Clube de Escrita e aponta como principais influências a cultura pop, a literatura norte-americana e autores como Carol Bensimon. Sua primeira referência literária está ligada à lembrança de sua mãe lendo Harry Potter para ele. Mais tarde, obras como O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, e, mais recentemente, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid, passaram a integrar seu repertório.


"Essas histórias têm em comum uma sensação de us against the world, 'nós contra o mundo', e uma captura bastante específica do seu tempo", reflete. "A qualidade estética delas soa ainda mais importante para mim: a técnica narrativa focada em cenas."

Atualmente, Arthur Simon trabalha na escrita de seu próximo romance, que terá como tema o processo de se perceber adulto. "Aquele momento exato, quando notamos que alguma coisa dentro de nós mudou para sempre… no meu novo romance estou tentando capturar a brevidade e imensidão desse momento."


Adquira Lana, como eu odeio esses caras!: https://loja.olimpoeditora.com/pre-venda-lana-como-eu-odeio-esses-caras-arthur-simon

Nenhum comentário:

Postar um comentário