Via de regra, o CBD não impede a doação, mas os critérios mudam de hemocentro para hemocentro. Veja como se preparar antes de doar.

Em 14 de junho é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, ponto alto do Junho Vermelho. A data foi escolhida pela OMS por marcar o aniversário de Karl Landsteiner, o cientista que descobriu o sistema sanguíneo ABO.
E ela cai num momento historicamente complicado para quem depende de transfusão. Junho costuma ser o mês de menor estoque nos bancos de sangue brasileiros: com as férias e o frio, menos gente aparece para doar, enquanto a demanda de cirurgias e tratamentos não dá trégua.
É aí que surge uma pergunta comum entre os mais de 873 mil brasileiros em tratamento com cannabis medicinal, segundo o Anuário 2025 da Kaya Mind: quem faz a terapia pode doar? A dúvida é legítima, e quase sempre mal informada, o que acaba afastando do hemocentro gente que poderia ajudar.
A resposta curta é: depende. O uso de canabidiol (CBD) não aparece como impedimento automático nas orientações do Ministério da Saúde, mas quem decide é o hemocentro, caso a caso, e os critérios mudam de uma instituição para outra. Na dúvida, o paciente deve informar o uso na triagem, levar a prescrição e confirmar as regras antes de ir.
"Tem muito mito nisso, e o mito afasta justamente quem queria ajudar. Usar cannabis medicinal não risca ninguém da lista de doadores, mas o paciente precisa ser transparente na triagem, levar a prescrição e entender que a palavra final é do hemocentro", afirma Mariana Maciel, médica à frente da biotech canadense Thronus Medical, empresa com foco em desenvolvimento de nanofármacos à base de cannabis.
5 perguntas rápidas sobre cannabis medicinal e doação de sangue
1. Fazer o uso de CBD por prescrição me impede de doar? Não de forma automática. As orientações do Ministério da Saúde não tratam o canabidiol como barreira, mas cada hemocentro avalia na hora da triagem.
2. Preciso parar o tratamento antes de doar? Nunca interrompa tratamento por conta própria. Na maioria dos casos não é necessário, mas é sempre bom verificar com o seu médico e com o hemocentro.
3. E se a minha medicação tiver THC? A presença de THC pode gerar mais perguntas na triagem, mas não é um bloqueio por si só. O que conta é você declarar os medicamentos que utiliza e apresentar as prescrições.
4. Tenho que avisar na triagem que faço o tratamento? Sim, sempre. A triagem existe para proteger quem doa e quem recebe, e a transparência é parte inegociável de toda essa relação. Leve a receita e responda tudo com sinceridade.
5. Por que um hemocentro aceita e o outro não? Porque o Ministério da Saúde define regras gerais, mas cada serviço de hemoterapia tem autonomia para fixar seus próprios critérios clínicos.
Dra. Mariana Maciel lembra que, às vezes, a barreira nem é a cannabis. "Em alguns casos, o que pesa na avaliação é a própria condição que está sendo tratada, não o medicamento. Por isso o melhor caminho é o mais simples: perguntar ao hemocentro antes de doar", esclarece a médica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário