*Imagem ilustrativa produzida por IA.
Dor de cabeça, mal-estar e inchaço são sinais de que o corpo está lutando para processar os excessos. A dieta pós-Carnaval não deve ser restritiva, mas sim facilitadora das funções renais e hepáticas.
Com a ajuda de Verônica Dias, nutricionista integrativa e farmacêutica do Instituto Nutrindo ideais (@nutrindoideais) / Niterói (RJ), trazemos dicas de como se equilibrar novamente após longos períodos de folia. Confira:
Sucos detox realmente funcionam? Qual a combinação ideal de vegetais para ajudar o fígado?
Segundo ela, o termo detox é marketing, pois quem faz o processo de detoxificação natural é o fígado, intestino e rins. “Porém precisamos fornecer ferramentas adequadas para que ele possa ser funcional e executar a função dele. Diante disso, o que os sucos podem fazer (quando bem formulados) é otimizar essas vias metabólicas, fornecendo compostos bioativos que apoiam as fases de detoxificação hepática”.
Do ponto de vista científico, os melhores vegetais são aqueles ricos em:
- Compostos sulfurados (ativam enzimas da fase II hepática): couve, rúcula, brócolis
- Polifenois e flavonoides (reduzem estresse oxidativo): gengibre, cúrcuma, salsinha
- Fibras solúveis (melhoram excreção de toxinas via intestino): pepino, maçã com casca
Uma boa combinação não é “suco verde genérico”, mas algo funcional com estratégia metabólica, fornecendo ferramentas, como:
- Couve + pepino + gengibre + limão + chia + água, sem excesso de frutas.
- Abacaxi + pepino + couve + maçã verde + limão + psyllium + água.
Consumo de proteínas leves após o Carnaval
Verônica diz que após excessos de álcool, gordura e açúcar, o fígado já está sobrecarregado metabolicamente. Carnes vermelhas exigem muito de todo sistema digestório: mais ácido gástrico, maior esforço digestivo, maior produção de metabólitos nitrogenados.
Já as proteínas leves como ovo e peixe oferecem: alta biodisponibilidade de aminoácidos, menor carga inflamatória, digestão mais rápida e eficiente, não causando sobrecarga.
Além disso, fornecem nutrientes-chave para recuperação hepática, como:
- Colina (ovo) → essencial para metabolismo de gordura no fígado
- Ômega-3 (peixes) → efeito anti-inflamatório comprovado
Ou seja: não é restrição, é inteligência nutricional. É saber fornecer para o corpo o que ele precisa.
Importância dos chás para diminuição do inchaço e retenção de líquido
Alguns chás têm respaldo científico por atuarem em diurese leve, função hepática e digestão, sem agredir o organismo:
- Chá de cavalinha - efeito diurético suave;
- Chá de hibisco - auxilia na redução de retenção hídrica;
- Chá de dente-de-leão - suporte hepático e biliar;
- Chá de gengibre ou hortelã - melhora digestão e reduz náuseas;
- Chá de espinheira santa - tradicionalmente utilizado e estudado por sua ação gastroprotetora, ajudando a reduzir irritação gástrica, azia e desconfortos digestivos comuns no pós-folia, especialmente após consumo excessivo de álcool e alimentos gordurosos.
Importante destacar: chás não substituem água, mas funcionam como coadjuvantes funcionais dentro de uma estratégia bem conduzida. Outra estratégia excelente é a reposição de eletrólitos: Água de coco ou suplementos de repositor de eletrólitos. Nada de isotônicos com corantes e alto teor de sódio, esses podem piorar toda a retenção e sintomas associados.
Erros que as pessoas cometem ao tentar "compensar" os excessos alimentares do Carnaval
Para Verônica, o maior erro é entrar no modo punição metabólica:
- Jejuns prolongados sem preparo
- Dietas extremamente restritivas
- Uso exagerado de laxantes, chás ou suplementos “detox”
De acordo com ela, isso aumenta o estresse fisiológico, piora a retenção de líquido, inflamação e pode até desregular ainda mais o intestino.
A ciência mostra que o corpo se recupera melhor com:
- Alimentação regular
- Boa hidratação
- Sono adequado
- Nutrientes certos no timing certo
O caminho não é “compensar”, é reorganizar o metabolismo com inteligência nutricional. Ou seja, volte a rotina fornecendo ao corpo comida de verdade, água, sono, movimento (atividade física).
REFERÊNCIAS:
Sociedade Brasileira de Hepatologia - material: “Dietas detox milagrosas não existem”.
Diretrizes da Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN)
Costa, NMB; Rosa, COB. Alimentos Funcionais – Componentes Bioativos e Efeitos Fisiológicos. Editora Rubio.
FONTE:
Verônica Dias, nutricionista integrativa e farmacêutica do Instituto Nutrindo ideais (@nutrindoideais) / Niterói (RJ).
Nutricionista e farmacêutica, pós graduada em Terapias Integrativas, especializada em modulação intestinal, psiquiatria nutricional, fitoterapia. Pós graduanda em Nutrição esportiva. CRN4: 24100766. CRF RJ: 29507.
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